Embora no Brasil a segregação não seja oficialmente reconhecida, assinalada, marcada como, por exemplo, nos EUA, ela existe como “não-dito”, implícita, perceptível nos lugares de pobres e nos de ricos. Ainda, sua nitidez reverbera no processo ancorado por ecos e bases estruturais.
Nos lugares de
ricos, os pobres, que adentram, apenas servem aos ricos. Enquanto, nos lugares
de pobres os ricos, que adentram, comumente pelos pobres são servidos e, ainda,
se servem dos pobres. O mesmo acontece nos lugares comuns, públicos, neutros, que
não carregam visíveis as marcas de distinção. Em poucos lugares, sob condições
especiais e momentaneamente, não apenas pobres e ricos, mas os inúmeros
marcados/identificados/estigmatizados/discriminados, recebem o mesmo trato, não
são discriminados, pelo menos explicitamente, mas semelhantes, os iguais que
são diferentes.
Ainda, é preciso pensar
numa categoria pouco estudada e que sofre todo tipo de estranhamento, a da
aparência física, do feio, do tapuia, aqueles que são considerados a margem de
padrões estéticos, de incompreendida beleza. Assim, podemos deduzir a distância
ser física, mas também simbólica. Está na falta de reconhecimento, na falta de
vontade ou oportunidade de conhecer para depois reconhecer. Como disse Djamila
Ribeiro, ao comentar uma discriminação, um preconceito, comumente o ator da
ação procura encontrar desculpas, argumentos, para se defender quando
descoberto, poucos reconhecem imediatamente sua falta, seu preconceito, se
retrata e observa a oportunidade de preencher hiatos existenciais,
comportamentais.
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