As vezes queria que as pessoas não me importassem, que comigo não se importassem, acho que seria mais fácil.
Ao sentir elas importarem, achar comigo também se
importarem, feliz ou infelizmente não me sinto livre, esse é o preço do
apreço, da relação, do amor.
Sei que delas dependo, delas encontro e acho os valores em mim, os significados da minha vida como significado, como
razão, como...
Quando eu penso em não querer mais, quando acho não
conseguir suportar a dor, dor que dói muito, dói toda hora, não para de doer, lembro não poder simplesmente fazer
o que quero, o que preciso, o que... tem tanta gente que preciso respeitar, que
preciso não fazer sentir uma suposta dor por eu fazer...
O que me prende é querer pensar que estão presos a mim de alguma forma.
Nem sei se estão, provavelmente não, mas quero acreditar, e se não estão,
quero acreditar...
Pensando bem, acho que só estou preso ao que
quero acreditar, e eu quero acreditar que as pessoas que acho amar me amam.
Estamos presos a promessa, a uma ideia de
realidade que vive muito mais no desejo de realidade, pelo menos enquanto
não pode e não é real.
Eu vou morrer, todo mundo irá, e mesmo a hora
que parece não ser a hora, de qualquer forma, é sempre a hora.
A sociedade condena, recrimina, não aprova a
ideia de decidirmos. Mas o que fazer, morrer aos poucos, todo dia, sem
vontade de continuar apenas vivo por não conseguir viver?
Tá, pode parecer egoísta alguém decidir sozinho se matar, mas é sensacional “não permitir” alguém que sofre sozinho decidir,
não é egoísta obrigar fazer o que não se quer e não deixar fazer o que se quer?
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