O conceito de interseccionalidade, a ideia, a aplicação, nada mais é que o reconhecimento da multiplicidade dos diversos pela multiplicidade de diversos. Ninguém é só o que é, pelo contrário todos, nos mais diferentes cenários somos atores a desempenhar e podermos ser identificados, simultaneamente, por vários aspectos nos plurais papeis assimilados e assumidos. Todo ser é único e suas propriedades são dispostas ao crivo do outro, dos outros. O outro sempre será a régua, aquele que classifica, identifica, conhece, olha outra vez, respeita, reconhece e legitima, em conformidade as suas capacidades, necessidades e limitações em função das relações, afinidades e proximidades, intimidades, ligação.
O indivíduo, por conta da sua natureza diversa,
mistura de sensações, saberes, sensibilidades, movido por ações, restrições e reações,
por elementos que incitam e excitam racionalidades, objetificações, interesses,
objetividade, subjetividade, suas junções e combinações, emoções, estímulos...até
o próprio indivíduo, em função de ser muito difícil, talvez impossível, conseguir
se conhecer completamente por vezes, atesta, alega, reconhece que não se
reconhece em determinadas posturas.
Mas, o ser humano é mobile, mutável, mutante, muda
todo dia, muda todo instante, é influenciado, absorve, reage, por mais que
tente reproduzir, apenas transforma e se transforma sempre em algo novo. Um segundo
sempre será apenas e só um segundo, pode ser muito parecido, comparável, medido
e pesado, com o mesmo material, mas é indelével e nunca será criteriosamente igual.
O tempo, é o tempo, é só um e toda ação naquele tempo é única, pode até ser simulada,
mas não se recupera. No maior esforço possível, diante dos recursos disponíveis,
pode se reproduzir, o que já é diferente de produzir. Assim, tudo é único, nada
se repete....
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