Solidão é quando a gente se olha e não consegue se ver, não consegue se ouvir, se sentir... se encontrar.
Todos podem alterar, corrigir, reescrever. Apenas conserve a versão anterior e publique a sua. Não esqueça de incorporar seu nome. Resgatar o tempo perdido, usar a ciência como ferramenta, despertar para o renascimento, fornecer opções para preservação do meio.
domingo, 20 de junho de 2021
solidão
Tal vezes
Não é só aceitação e negação, não é só algoritmo, não é logico, não é binário, tampouco só pares ordenados, sim e não, verso e reverso, positivo e negativo, mas outras formas e representações. Outras, tantas, muitas, que podem surgir da fusão, da soma ou da subtração, da depuração, da aglutinação, da composição, da decomposição, do ajuste, da afinação, da quantidade, da qualidade, da temperatura, da pressão, do tempo, da ação, reação, da relação, do intervalo, do tirar, do por, do repor, da assimilação, da substancialização, da substantivação... Uma energia pode simplesmente anular a outra?
O que é o nulo, o hibrido, o estéril,
o... e por aí vai, fica, volta e vai e volta de novo, na circularidade, no movimento
continuo que até pode, as vezes o é, mas nem sempre retilíneo e uniforme?
Ao invés de desvalor são capacidades,
diminuídas ou amentadas, são outros resultados, outros valores que insurgem da
mistura e dão forma a diversidade. Entre um sim e um não, por mais que não se
assumam, existem talvez, talvezes. Esse, não assume imediatamente forma, nem é
disforme, está entre probabilidades numa infinidade, de possíveis. Tudo depende
de vários fatores, quantidades, qualidades, proporções e balanceamentos, das condições
de temperatura e pressão, do tempo, de se respeitar a maneira, o modo, o jeito,
e assim poder apresar diversos resultados, significados, inclusive equivalentes
e equivalências.
O resultado de uma experiencia, irremediavelmente,
depende de vários elementos, mas nem sempre é possível, com os mesmos
ingredientes e condições, alcançar o mesmo resultado, visto o mundo da vida
estar em movimento de ir, vir, voltar, em transformações ocasionadas pela constante
ação de energias.
Por mais que a receita de um bolo
seja rigorosamente seguida, à risca, o resultado pode, e é bem provável, ser algo
bem parecido, mas não será exatamente igual, pois quem faz, manipula, prepara,
reproduz, é sempre diferente. E mesmo que esse se ache o mesmo igual, é provável
não estar nas mesmas condições, fazer ou usar, sem se dar conta, algo coisa
diferente, diverso, semelhante, similar. Como disse Heráclito, “Nenhuma pessoa pode
banhar-se duas vezes no mesmo rio... pois na segunda vez o rio já não é o
mesmo, nem tão pouco a pessoa!”.
A fábrica da vida, artesanal e
natural, ao contrário da linha de produção com formas, matizes, matrizes,
controles, simuladores, simulações, artificiais, aparentemente só com sim e
não, dificilmente irá produzir dois resultados rigorosamente iguais, mas uma
infinidade de semelhantes, similares, parecidos, talvezes.
sexta-feira, 18 de junho de 2021
...
Não posso dar o que não tenho, mas o que tenho se faz falta.
A gente desiste da vida ou a vida é que desiste da gente?
terça-feira, 15 de junho de 2021
A fome é de...?
A fome é de que?
As respostas
lançadas ao mundo social, gradativamente, fizeram insurgir novas perguntas a
sociedade, aos indivíduos.
O ser humano, tal
como é, produto da sociedade e do sistema capitalista, não mais se satisfaz
apenas com a régua material, ele precisa sentir-se como um ser.
Ou seja,
substantivar a sua representação como elemento participativo, interventor,
produtor e reprodutor de um estar permanente como valor.
É muito mais que
simplesmente ter dinheiro, ter poder, e poder interferir, mas ser uma espécie
de ideia onde o ser transcende ao estar na fundamentação do pensar.
A ambição dessa
mentalidade, como anteriores, é a de permanência, continuidade, prolongamento,
extensão e essa peculiaridade humana não tolera a morte, pelo contrário,
historicamente, ainda sem sucesso, tenta matar a morte, o fim. A solução para sua
pretensa atemporalidade, facilitada pelo progresso tecnológico, talvez, possa até
se conformar em um “estar disponível” para ser “acessado”. Todavia, como
sublinha os esforços de não somente cultivar registros, mas os exercícios de
manutenir e avivar memórias, recuperar, conservar e artificialmente, paradoxal,
preservar faz reverberar um apenas talvez.
O ser humano
desenvolveu e desenvolve capacidades tecno/cientificas que visam, publicitariamente,
salvar vidas, mas na realidade por um bem mais precioso que é escapar da
mortalidade.
Assim,
obviamente com a valorização de anteriores, o ser humano supervaloriza as suas ações,
reações e efeitos através de contribuições a gerações vindouras.
Esse
reconhecimento e valorização, dados ao passado, assina a necessidade de um
lembrar permanente no presente que, aparentemente, não atina para o futuro e, por
não se contentar em ser passado, pretende controlar a escala espaço-tempo. Com
esse gesto, reivindica, abruptamente, o lugar da sua bandeira, da sua
demanda, da sua necessidade, da sua ambição, inclusive, na política pública.
Não por acaso os
segmentos, fármaco e estético, da indústria química são tão bem sucedidos e o
mote de quem mata seja sempre salvar.
O ser humano é
desobediente, inconformado ou, mais bem, desrespeitoso. Sua negação a morte, a
sua falta de respeito para com a finitude cria esperanças, promessas, muitas
embrulhadas em dinheiro e, no mesmo pacote, até “deuses”.
Embora as
recompensas e compensações materiais não sejam negadas, mas percebidas como
condição humana estabelecida e sejam naturalizadas, passaram a ocupar a
categoria de efeito e não mais de causa. O material é consequência de um ser, é
devir.
Não é a
mobilidade social, econômica, embora se faça presente, o motor ativo das ações,
mas a busca de prazer, satisfação e permanências no percurso da realização.
Percurso esse já compreendido pelo conhecimento prévio de uma estrutura
pavimentada a impor dificuldades, percalços, obstáculos, armadilhas, obrigar retrocessos
e impedir avanços.
Essa tomada de
consciência excita um desafio manifesto, acende o desejo de movimentar
energias, agora como rotor, para vencer e alterar a estrutura. Não basta fazer
parte do mecanismo, esse gesto ‘dado’ como oportunidade, ao trazer para perto, sinalizar
junção, conceder suposta simetria, passar a percepção de estratégia para esfriar,
acalmar, “subornar”, corromper, até dissolver resistências, agora cabe e resta
a tentativa de muda-lo.
Assinala um
despertar, tardio, para a redução do ser humano ao caráter de coisa, de número/volume,
de mão-de-obra e, de uma operação que avança na precarização, inferiorização e
substituição do explorado.
Desumanização,
desnaturalização... o distanciamento da natureza, daquilo que é natural, oposto
do artificial, pinçado da mente humana para conservar, fazer, resultar, também
é natural, está no ambiente.
A diferença é que a
natureza faz suas formas e conteúdos com perfeição impar a manter o principio
da diversidade, da biodiversidade. Por sua vez, o ser humano, também uma
criação natural, que se acha racional, tenta simplificar o complexo, assim
produzir cópias, imperfeitas... certa forma, isso permite mais indivíduos
“saborearem”, “experimentarem”, “conhecerem”, ‘reconhecerem” um pouco de
algumas coisas, as selecionadas, as precificadas, as iguais as demais
produzidas pela maquinas, maquinadas e artificiais na mente humana.
Em compensação, nessa
operação de produzir através de artifícios, imitar, replicar, em vários
sentidos, selecionados, levam a exaustão, a extinção, o não selecionado,
desconhecidos tratados, quando muito, como resíduos... o problema é que os
“resíduos”, respostas ainda sem perguntas, podem ou poderiam ser peças-chave da
“maquina” que o “homem” tenta, mas ainda não tem habilitações plenas, para
controlar.
Assim, o “homem” no
afã de matar a morte, além de todo dia matar a vida, pode estar
precipitadamente decretando o seu fim.
Deveríamos parar?
Não sabemos.
Mais que certo é que
precisamos pensar mais, fazer o máximo, o possível, o impossível, para não
destruir a possibilidade de perguntar.
Da percepção
como encargo, prejuízo e gasto público e do sentido de público, de
pertencimento a todos, comum.
Maquinas,
criadas por explorados cada vez mais atrofiados e monoqualificados, com status
de especializados, cujos movimentos/conhecimentos repetitivos se limitam a
especialidade, se encarregam, tradicionalmente, das tarefas mais complexas e,
gradativamente, ganham mercado na realização das mais simples.
Não à toa, o
mote, o mantra, sempre é acompanhado ritimadamente da palavra ou sinônimos de
mudança, simplesmente por compreender ser impossível com a inserção no sistema
ter o poder de influenciar o produto final.
O produto final,
resultado, será uma sociedade mais humana, posto a evidencia como objetivo, não mais
é fruto de ajustes superficiais, mas da presença e preponderância de um novo
“modelo de produção”, de uma nova mentalidade, de um novo sistema que, embora
reconhecido como solidificado, pode ser mudado gradativamente através de ações
e reações sem desprezar inferências.
Há tempos a
ideia deixa de ser fazer parte do jogo para ações a propor o jogo.
Alavancas para -
Espaços opacos e luminosos – Milton Santos.
Teoria da comunicação –
Habermas – virada hermenêutica na teoria critica – visão instrumentalizada das
relações sociais e ações humanas.
sábado, 12 de junho de 2021
a caixa de guardar memórias
De longe, sem a necessidade de maiores estudos, é possível afirmar a espécie humana não ser entre os seres vivos a mais forte, resistente, resiliente. Provavelmente, não é também a mais inteligente, tampouco com o maior poder de adaptar e assimilar. O que a faz sobreviver e, com todas as críticas cabidas, a se desenvolver responde pela sua capacidade de preservar, conservar, cultivar, acessar e produzir memórias. Por mais que contestações ajam, guardar lembranças, experienciais, vividos, é sem dúvidas o grande diferencial do homo sapiens sobre as demais vidas.
Essa
capacidade permite ao ser humano, com a utilização de recursos naturais,
progressivamente transformados/aperfeiçoados, acumular experiências que
registradas em paredes, abrigos, folhas, peles, lâminas de madeira..., experimentos convertidos em aprendizados a serem transmitidos,
modulados, utilizados, valorados, precificados.
Desde
a era da mais completa ignorância até a da ignorância mais completa, o ser
humano percebe a utilidade de encher o vazio, da sua existência, e assim reter
maneiras de adquirir satisfações, prazeres, conhecimentos, como queira chamar,
guardar e transformar o vivido em aportes, estoques, reconhecimentos. Do mesmo modo, desprazeres e insatisfações por precaução ou, ainda, no objetivo
de algum momento descobrir e modificar essa sensação.
Através
dessa “caixa” para colocar sentimentos sentidos, ele acumulou expertise, pode
repetir movimentos exitosos, evitar fracassos, ou observar se aquele teórico
fracasso poderia ser um sucesso para algo ainda não conhecido, uma resposta
para a pergunta que ainda não existia. Na sua limitada condição humana de
temporário, descobriu um esticar o tempo, estar no tempo, dizer até depois do seu
tempo.
E
assim, as sucessivas gerações aproveitam dos êxitos aos fracassos, mas continuam a
interroga-los, a pergunta-los. Não à toa, respostas conhecidas são usadas a novas
perguntas, buscam reconhecimento, mas nem sempre correspondem e, não levadas ao
descarte, passam a hibernar. Com isso, se institui o método de entregar
respostas conhecidas as perguntas insurgentes. Mas como na caixa é incapaz de conter
todas as respostas, se faz necessário produzir mais respostas, através da
combinação de recursos naturais, do conhecimento acumulado e das perguntas já
formuladas. O passo seguinte, necessário a evolução, tal qual fizeram os
antepassados, é produzir novas respostas por meio de novas perguntas. Mas, o
ser humano se acostumou a depender mais do acumulado, a cloroquina não deixa
mentir, e com isso, utiliza muito a caixa que acha estar cheia, o que faz
sentido, comprometendo o processo ao não descobrir realmente novas. Em função desse
sistema de dependência, quase vicio, despreza muitas respostas para as quais
não tem perguntas, ainda. Um exemplo do desiquilíbrio nessa relação pode ser
constatado na devastação dos recursos naturais. Em função da destruição da
fauna, flora e minerais, em detrimento ao conhecimento pré-existente, muitas
respostas podem simplesmente deixar de existir para perguntas que irão surgir ou,
como as respostas, também não mais possam ser pensadas.
Os
povos primitivos, com todas as limitações, possivelmente estimulados pela
precisão de encher a caixa, a vida, seus vazios, ou por não ter alternativa se encheram
sem saber o que era saturação. Obviamente, muito foi perdido, possivelmente
reencontrado na trajetória, ainda outras desperdiçadas, mas passiveis de recuperação.
No entanto, o poder de destruir, evidencias, pistas, respostas, perguntas, dos
povos originários, primitivos, pré, eram bem menores, limitados que o das
gerações desenvolvidas. Nesse sentido, o desenvolvimento torna-se o grande
algoz da espécie humana que pode, a qualquer momento, alcançar "conscientemente" o ponto de
saturação e fazer “explodir” a caixa de guardar memórias, ainda, esquecer e não saber
mais como fazer.
quarta-feira, 2 de junho de 2021
...
Sabe, de verdade, o que eu queria?
Queria que o que não podia fosse.
Que sonho virasse realidade,
Mas, só os sonhos que sonhassem bondade,
que para o sonho se realizar bastasse sonhar.
sonhasse vida, sonhasse sonhos, sonhasse liberdade.
encontrasse encontro, colorisse sorrisos, amasse amar.
sábado, 29 de maio de 2021
Há tempos deixei de ser o protagonista da minha vida.
Acho nem coadjuvante.
Sabe, quando disse ela não merecer, não era justo, me referia ao transferir responsabilidade, entregar mais um peso, um encargo.
Na realidade sou eu que não mereço, não tenho méritos para sonhar, muito menos transformar esse sonho em realidade.
Me pergunto, já que não tenho nada, o que eu poderia dar?
Não tenho nada, muito menos algo especial. O máximo que poderia entregar são problemas embrulhados em passados. Por isso não acho justo.
Juro, queria ter algo especial para oferecer, mas na realidade não acredito ter.
Também tenho medo, medo de dizer e perder o que tenho, mudar a relação de amizade e confiança que há tempos, por minha causa, incorporou ingredientes e mudou.
Nem sei se queria sentir o que sinto, acho que sim, mas não sei se do jeito que sinto, mas sinto e sinto muito.
As vezes penso em me matar, em me morrer mais um pouquinho, mas não acho justo recusar a vida, negar o viver. Também não acho certo, por achar, fazer pessoas que amo chorar. Não quero ser o motivo de lágrimas, de dor, de dúvidas, de decepção.
Mas, as vezes é bem difícil suportar essa dor. Sei que não tenho mais o tempo como aliado, pelo contrário. Então, não tenho muito tempo para esperar, menos ainda para sonhar, mas você me fez sonhar com você.
Nos últimos anos, desde que deixei de viver para apenas sobreviver, contar tempo, os únicos momentos bons, excelentes, os melhores sorrisos, todos os melhores sentimentos, as melhores histórias, as melhores memórias, as reais emoções foram escritas com e por você.
Não seria justo desistir, desistir de tudo, desistir de mim, como já disse: não é desistir de mim, mas desistir de você.
Por isso me afastar, por isso tentar me apagar, por isso fazer silêncio, me silenciar, me calar, para não incomodar.
Tenho medo de ser invasivo, de ser chato, inconveniente, produzir motivos para reconhecer o erro e me desculpar.
Não gosto de pedir desculpas, simplesmente por saber que elas são necessárias quando são necessárias. Não quero fazer nada que faça essa necessidade ser necessária.
Por fim, não quero dizer tudo o que queria dizer por muito medo de te perder.
Você pode não saber o quanto é importante, mais que importante, respeitada, admirada, mais que admirada, amada, mais que amada, os significados, mas eu sei.
Por isso, por isso tudo, por tudo isso, só posso agradecer.
Não tenho nada para dar além de amor, reconhecimento, respeito, carinho, amizade, afetos, o rin, o fígado, o sangue e tudo mais ou qualquer coisa que possa fazer. Mas, o amor que a gente sente nem sempre, quase sempre, não é suficiente para fazer o amor que a gente ama amar, como a gente precisa e gostaria, a gente.
Não sei se te amo ou se amo você.
Por isso, por tudo isso, por isso tudo, só posso dizer...
Obrigado por me fazer respirar, suspirar, a mar...
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Só, dor, perdido.
E eu que nunca gostei de dormir, afinal viver é para ser vivido, para ver e fazer movimentos, hoje faço tudo para não acordar.
Acho querer dormir, o máximo possível, para fugir dessa realidade mais parecida com pesadelo.
Já não consigo mais acordado sonhar.
Mentira, só não consigo acreditar em ser possível os tímidos sonhos não serem só sonhos.
Não consigo acreditar que na realidade possa se realizar e algum prazer dar.
Quase sempre sinto como me senti quando tinha 3 ou 4 anos, não lembro bem a idade, só dor, desespero, sensação de perdido, sem direção, de não conseguir encontrar quem amava, quem eu queria e precisava encontrar.
Ainda sei o endereço, mas o carinho, o afeto, o amparo não está mais lá.
Ainda sei nomes, pessoas, mas não estão no lugar, só em mim.
É a mesma sensação de dor e solidão, do olhar pela janela, não mais de um quarto de hospital, e ver barquinhos na água, nem sabia que era da, nem o que era Baía, de Guanabara.
Mas, não esqueço a dor, ainda sinto, o vazio, a solidão.
Acordado é esse sentimento, o mal estar, um estar pedido, só e dói.
E eu, que não achava mais me mover, fui movido e ousei querer novamente sonhar.
Sei endereço, nome, pessoa, lugar, mas não estou lá.
E, se estou, por conta da minha imaginação, do meu desejo, da vontade de estar, não é como queria e gostaria de estar.
Sei não me encontrar, não me achar, novamente me perder, não ter alguém a me procurar.
Por isso, por isso tudo, não quero mais acordar.
Não quero e nem gosto, mas preciso dormir, não para sentir conforto, amparo, mas por carência, para não sentir o desamor.
Por não gostar de estar perdido, não ter caminho, não me encontrar, por sentir sozinho estar e só sentir dor.
Dormindo, diferente de acordado, não lembro de sentir falta de alguém sentir por mim amor.
Dormindo, diferente de acordado, não sinto tão sozinho, não sinto tanta dor.
Não queria dormir, não queria me sentir perdido, não queria a sensação de solidariedade, mas só, sem estar sozinho, um milagre pode me fazer acordar e sentir que vale a pena fazer movimento e viver a vida.
prazer no movimento
O fim ultimo do ser humano é sentir prazer.
Para tanto ele se submete a promessa.
Essa movimentação, mais que a realidade o encanta, promete, faz viver.
Mas o movimento por prazer, por necessidade de encontrar prazer, o afasta das promessas que viraram realidade
na busca de mais prazer, de promessas e movimentos jamais suficientes para sacia-lo.
Ele até se recolhe, aparentemente se contenta,
aceita a condição estabelecida, mas na realidade o faz por compreender essa
etapa prometer leva-lo a descobrir e alcançar outras prazeres, outras promessas.
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Se não fosse
Seria muito mais fácil se não fosse o amor, mas se também não fosse o amor seria muito mais difícil.
2+2=4
Sim/não
On/off
É sempre mais fácil o racional, escolher a escolha já escolhida, legitimada, fingir ter opção.
Por outro lado, a emoção não pede sim, não diz que não.
Não é provável, nem previsível, nunca é errado ou certo, por não binária, é só possível.
Assim é o amor, não é perfeito, nem o contrário, muito pelo contrário e ainda bem.
A escolha é sempre difícil, mas não parece e se sabe muito bem a escolha quando se ama.
Amor não se escolhe, mas mesmo assim se ama o amor que não pode escolher.
E se pudesse teria outra escolha?
Não sei, mas provavelmente se escolheria amar o amor que não se escolheu, mas se ama.
Na realidade, seria impossível não fosse o amor... não seria possível sem amor.