segunda-feira, 2 de maio de 2022

É o colorir da flor.

É o florir da cor.

É o perfume da…

Flor fere a ferida quando exala sobre a vida entristecida a esperança da flor…

É perfume, é o aroma, é a cor, é esperança, é amor, é o colorir, é a flor... é a é, é o é, é e é.



Não lembro ao certo quem disse: a pior coisa que pode acontecer é não acontecer nada.

Mas, durante algum tempo acreditei.

Hoje, não mais.

Pelo contrário, tenho medo de o nada ser interrompido por ruins, péssimos, tristes.

Pelas perdas, ausências, despedidas, solidão, que habita em mim.

Há tempos me sinto só.

Sobre isso, diversas vezes escrevo.

É sim o medo maior, apesar de todo dia conviver só comigo.

Assim mesmo, tenho muito medo da dor, ela maltrata, tortura, degrada.

Então, o pior que pode acontecer é algo pior ainda, só estar e a cada dia mais vazio.

O pior que pode acontecer é não acontecer o que possa, se não preencher, não deixar esvaziar.

Faz sofrer, faz sofrer ainda mais, faz chorar.

Hoje, acordo sem vontade de acordar.

Vivo, sem vontade de viver.

Ainda sonho, mas só mente e se mente vale a pena sonhar?

Sabe o que é olhar para o céu e…?

Saber que não, não adianta, não vai adiantar!

Só sinto vontade de dormir, hibernar e não chorar.

Só sinto vontade de não ser e de não estar.

Só sinto vontade de ir, sair da vida e não voltar.

Queria viver a vida?

Queria, mas não dá, não dá mais ao achar que o perder vai ganhar do achar.

Não, não quero desistir, só, não consigo mais tentar!

Se todos os sorrisos perdem os dentes como posso sonhar?

O que se sente e não dá para explicar é possível entender?

Não dá para entender o sentimento que se sente e não se consegue explicar.




Minha voz uso pra dizer...


E só vai quem chegou… e só vem quem partiu...


Vou aprender como se come e vive o gosto da comida…

Clarisse Lispector Cazuza e Frejat

O mal estar, está, segue, prossegue.

Só peço que nada de ruim aconteça, embora disso duvide.

Sempre que me sinto assim, espero uma má notícia.

Infelizmente, sempre acontece algo de ruim, direta ou indiretamente, com alguém que gosto.

Parece uma praga.



Beijo.

Sem saber o que dizer, talvez até por não ter, mando um beijo.

Penso o beijo conter tanto significado, que não dá para explicar, que faz possível tudo compreender, contudo sem com isso preocupar.

Sabe a liberdade do sentimento, um poder de poder pensar em qualquer coisa, a qualquer momento, sem precisar justificar e mesmo assim significar?

Difícil entender, não precisa importar.

Beijar, pode ser, parecer ver um monte de respostas, sem perguntas, sem questionamento, sem a necessidade de interrogar, de responder, de perguntar.

A vida poderia ser mais simples, como um beijo, se não precisássemos complicar.

Ser igual ao beijo, que ao beijar se entrega e entrega a paixão, desejo, as vezes o amor, quase sempre o tesão, beijo, desejo, beijar.


Mas tornar complexo enriquece, confunde, expressa, é arrogante...


Quando achar que tem tanta coisa a dizer e não sabe por onde começar, mande um beijo beijar.

O beijo deixa tudo especial, transborda sentimento, solta o que tá preso da gente, de dentro, espalha significado no ar.

Beijo até silencioso faz barulho, faz rir, faz chorar, faz... só não é indiferente, nunca deixa do mesmo jeito, da mesma maneira, como está, no mesmo lugar.

Um beijo diz tudo, mesmo sem nada dizer, consegue e não precisa explicar.

Beijo é beijo e pronto, a qualquer momento, em qualquer lugar.

Beijo diz até eu te amo, mesmo sem amar.

Mas quando ama, faz calor, ama até o amor que ainda não ama entender o que é amar, antes, durante e depois de gozar.

Beijo, fechamento e preliminar.

Meu um beijo é o grito aflito, de preciso, de que eu preciso e o único que consigo gritar.

Meu pedido de ajuda, tô perdido, desesperado, desamparado, pedindo pra me ajudar, para em algum instante, de onde está, se importar.

Beijo é plural mesmo sendo singular...


Vício, não tome o primeiro gole.

Vício, não acenda o cigarro e nem dê um trago.

Vício, não mande mensagem.

Vício, não diga mais um eu te amo.

Vício, não entre na farmácia, não compre seringa e agulha.

Vício, desligue o telefone, não ouça a música, não veja um beijo, não olhe a fotografia... não deixe esquentar, e se, banho de água fria.

Durma e reze para não sonhar o sonho que sonha mesmo acordado.

Vício, vicia…

Se depois de tudo isso ainda lembrar, não abandonar o vício, ame pois não dá pra curar, ame pois amor é amor e não vai acabar.

Não vai deixar não amar o amor que ama amar.


Era uma vez alguém quem se apaixonou por alguém que sabia amar.

Embolou, deu um nó entre os nós.

Não dava para desfazer, não parecia poder desenrolar.

Só tem conserto se concertar.

Vi cores que eu não sabia que existia.

Eu não quero desligar, mas sair da terra, tirar o pé do chão, flutuar.

Viajar num sonho, de voar, sem sair do lugar.

 O que eu sinto?

Achei que sabia, hoje já não sei.

Sei que sinto, que sinto tanto, que sinto tudo, só não sinto que não sinto, sinto muito.

Não gosto de ter certeza, prefiro achar

As vezes acho que é só tesão, vontade de sentir teu calor, te dar calor, 

As vezes acho que é paixão, 


Algumas dores não apenas doem.

Algumas dores anunciam, revelam, prepara o corpo para a despedida.

Algumas dores avisam que a vida está bem perto do encontro com a morte.

A sorte da vida é viver até morrer.

E nessas horas a gente faz uma rápida passagem pela memória, lembra daquilo que não se esquece.

Pensa em quem importa e não importa se ela não se importa.

A gente não quer ajuda e sabe que não pode ajudar.

Não quer despedida pois sabe que não há mais nada a esperar.

Algumas dores doem muito mais que todas as dores que a gente sentiu e por mais que doa, a quem doer, parece que a gente não sente mais tanta dor.

Tá chegando a hora de ir e o caminho da vida seguir...seguir, seguir, sabendo que nunca mais irá voltar.


É um acabar sem chegar ao fim, olhar o espelho, ver, constatar, ainda ter um corpo, um resto, um pedaço, massa, vazia, oca, que na realidade é resídual e no que sobra nada é íntegro, reconhecer que é assim, e nada presta desse bagaço de mim.

 Tem gente que já nasce morto.

Não nasce, é torto, um aborto.

Desgraçado, quer dizer sem graça, e essa sina não passa.

Sabe, o seu destino será sempre o pior possível, tá traçado, no mínimo fracassado.

Não adianta, pode fazer de tudo, tudo tentar para desviar, irremediavelmente, o seu destino leva pro mesmo lugar.

Não há desvio quando se tem um único caminho, um único destino, um único trilho, só uma estrada a caminhar.

E não adianta tentar se matar, vai falhar se tentar.

No máximo, conseguirá piorar o que nunca foi bom, transformar o ruim em péssimo.

Tem que sofrer, tem que sentir, tem que doer, tem que chorar.

Tem gente já nasce morto.

Não nasce, é torto, aborto.

Sabe quando a vida é marcada pela falta de opção, quando você não escolhe, quando o que surge é tido como oportunidade?

Não, não há opção, não tem escolha, viver é completamente diferente de sobreviver e somos simplesmente e somente sobreviventes.

Sabe o que é xepa, só poder comprar, parcelado, na liquidação?

O que sobra, o que resta, a qualidade duvidosa daquilo que nem sempre de fato presta.


Existem criaturas, coisas, aberrações, vermes que assimilam a imagem humana. Não é pessoa, não é gente, apenas má energia.

A essas criaturas vazias, desalmadas, maléficas que sentem prazer em ferir, torturar, fazer mal, matar restará sofrimento e desprezo, ainda em terra, e até retornar sua forma original nas profundezas.




 O que se sente quando se ouve uma canção?

O que a música significa para o sentir humano?

Não sei responder.

Tudo o que sei é sentir ao ouvir, é lembrar ao sentir, é ouvir ao lembrar.



Eu quero as pedras do Arpoador, eu quero amar o meu amor, eu quero luz, sorrisos, o que dá cor...

São necessárias.

Ou, melhor, são precisas.

Eu quero estar em Marechal Hermes, pegar o 786 como fosse a primeira vez.

Foi lá que tudo começou.

Eu quero, mas o que eu queria de verdade é não querer sozinho.

Queria querer o que o outro quer e também o contrário, querer o outro e outro querer-me como a quero... dá pra entender?

Tipo...eu querer ela e ela me querer…

Eu quero o sol da meia noite, a lua da prima…Vera ...que na verdade é dela…

Quero o que não pode ser, o que para acreditar não dá…

Quero o que não existe...quero o que não há…

Eu quero-quero a Belinha, o Zezinho e o sabiá.

Eu quero mais, mais lua, mais sol, mais Mar...ah.


Acreditar que existe um lugar onde você me quer…

Acreditar.

As meninas do Benfica... capítulo 5... músicas.


O seu amor é meu e deixe-o livre para amar…


É, sobretudo, sobre algumas coisas...

Gotas que mais parecem pedaços de vida caindo no chão.

Chuva molhada que lava, leva, inunda, carrega as poeiras da ilusão.

O tempo, nublado, sombrio, vazio, do lado da solidão.

Chuva, líquida, límpida, inodora, insípida, água.


 Todas as faces de alguém.

Somos a soma de várias partes.

Partes de gente que fazem a gente ser parte.

Gametas, cromossomos, proteínas, células, hormônios.

Unidos, juntos, combinados, arranjados, recombinados.

A gente é um monte de gente dentro da gente.

Toda história começa ao nascer ou ela é uma sequência, encadeamento lógico de vidas, influências, genes, a definir como somos, o que somos e o que seremos?

Se assim for, cada vida começa muito antes de vivê-la e mesmo sem nenhum vínculo sanguíneo, parental, familiar também adquirimos de outras pessoas personalidade, contribuições, pensamento, mentalidade.

Psico, físico, social.

Somos uma grande operação… mental.

É do ser humano cometer erros.

O processo de aprendizado deles está cheio.

Mas, para aprender é preciso reconhecê-los, caso ignore não se consegue aprender. Assim, as opiniões são sempre válidas, fundamentais, discuti-las é chave para consensos.

Entretanto, opiniões devem ser fundamentadas nas experiências, possuir um certo grau de conhecimento. Por isso, sempre é perigoso emiti-las sem um mínimo de ciência, quando não podemos ponderar nossos sentimentos e comportamentos. É nesse momento que a resposta e as perguntas podem fazer sentido.

Não se deve emitir opinião sobre aquilo que não se experimentou, experienciou, não se tem a mínima noção.

Cabe ao ouvinte o lugar de ouvir, observar e aprender, para se localizar nesse espaço de experiência, cenário da resposta, orientar o agir, reagir e comportar para as perguntas necessárias.

No mais, como regra geral, não se deve emitir opinião sobre o que não se possui, profundidade, e o silêncio em determinados momentos grita como sinal de respeito.

Para ensinar é preciso aprender.

Ninguém pode ensinar sobre o que não sabe.


Um brinde ao destino, ao aprendizado.



 Poesia é a forma mais pura, espontânea, honesta de expor o sentimento.

Poesia é uma coisa que não é mentira, que não é verdade.

Acontece.

Não segue regras, não marca compromissos, tem até a sua própria liberdade.

Promete.

Poesia é o sentimento na dimensão da impoluta versão, descreve com palavras o sentimento que sente o coração, que bate…

...e bate como tambor.

Não existe poesia boa, não existe poesia ruim, certa, errada…na realidade o que existe é poesia, de cada instante, de certo momento, para um amor, para uma amizade, uma determinada pessoa, para todas as pessoas, e também para ninguém.


não importa a qualidade, poesia é simplesmente sinceridade…


Simplicidade

Espontaneidade

Pura

Sentimento


Provavelmente, é melhor calar quando achar que não tem nada de bom para dar, dividir, compartilhar.

Quando não se tem nada de bom a escrever, a dizer, a falar, é prudente calar.

Apesar do silêncio não poder preservar o bem estar, tem grande potencial de não aumentar sentimentos ruins.

O silêncio pode não ajudar, mas com mais frequência não causa desconfortos, mal entendidos, tristezas, decepções.

O silêncio não diz mentiras, mas também não entrega verdades, não é sínico, também não é sinceridade, ao contrário de não dizer nada faz reverberar muitos sons de achos, só revela o sentimento que é possível conter, aquele que grita e diz sem dizer, impossível esconder, querendo ou não querendo, sem querer.

Em suma, quando tudo que se tem é nada a dizer, ou o que todos estão cansados de saber, por não dar para esconder, ainda o que ninguém precisa ou quer escutar, ler, melhor é calar ao qualquer coisa falar.


Eu sou uma história que acabou. 

Eu sou uma história sem graça que não precisa contar.

Eu sou uma história que foi, que era e não  será.

Uma história que chega ao fim, no máximo preste a acabar.

Depois de deixar de ser quem eu sou, ninguém nunca mais vai lembrar.

Sou uma história que se contou e nunca alguém contará.

As histórias só são histórias se algum dia for possível contar… a história continua até ser possível lembrar.

Acessar, ter registro, relatar, reproduzir…

A história que se esqueceu, esquecível, difícil de lembrar…

Que existiu, mas em breve não existirá…

A história só existe se for possível conjugar o existirá...resiste…

Ninguém precisa entender, se esforçar, pra esquecer, nem lembrar, não dá para explicar...nem preciso foi, é ou será.

Só um ser, só um estar…


Sei que é difícil entender, mas se esforce para compreender quem compreende sempre estar no resto das vidas, e assim, no resto que resta das suas vidas...sendo sempre o resto que sobra. Só, resto.


A primavera de Platão…


Descobre que a sua vida não vive.

Provavelmente, que a sua morte não morre.

Que a vida morre, todo dia morre um pouquinho, e não consegue matar so uma vez essa morte que lentamente te mata, segue, prossegue, continua e aos poucos vai te matando, mata e matará antes do final, de a hora definitiva, de matar, chegar… sabe o que é morrer, o que é já estar morto antes da morte matar?

Uma vida que termina dez minutos antes do fim…

Uma vida que começa dez minutos depois de acabar...