segunda-feira, 6 de setembro de 2021

É esquisito quando você sente melhor não haver amanhã.
Quando você não se importa se vai haver outro dia. E que tanto faz se agora fosse embora.
É muito ruim sentir que você tanto faz, e que não vai poder ver mais quem queria, quem gostava, quem amava, com quem se divertia.
É péssimo quando você ainda gosta de um monte de coisas, mas para tanto precisa estar sujeito a tudo. É fato que ninguém gosta de tudo, mas nem considera em função do que importa.
É foda, saber que ainda tem coisas que importam, pessoas que muito importam, mas como você não se acha tão importante para elas, pouco importa, ou mais nada importa.
Tem dias que acordo querendo resistir, faço forças para enfrentar e seguir, mas a cada hora que passa e nada acontece, que não acontece nada, sinto não estar perdendo tempo, mas me perdendo no vácuo, no...deve ter uma palavra para definir esse buraco, gap, lapso...
Mas não consigo mais me perder, isso não é bom, por não me encontrar para poder me achar...
Sabe pouco importa, ainda importa, mas cada dia o menos importa fica maior...
Os dias vão e aquele dia, aquele em que poderia dar certo, acontecer, não vem. A cada dia fico mais convicto, começo ter  certeza, e nunca gostei de ter certeza, que nunca virá.
Não estou perdendo tempo, não se pode perder o que não se têm, mas sem sacanagem, tô meio e muito cansado de querer acreditar na miragem...
Todo dia, que ainda acordo, penso nas últimas palavras que vou escrever...ainda não sei, mais pensei: Aqui jazz, blues, rock, MPB, samba, etc e roll... A música Toca até quando não toca mais...Quanto nunca mais ficou e nem vai tocar mais...
Eu nem sei se acreditei, mas amei até não mais poder...para acabar ia escrever amar, mas... não importa, não vai adiantar.
Sabe, é tanto trem partindo, assim rapidamente lembro do trem das onze, olho o trem, o último da estação, o trem da história, o trem das cores, o trem para as estrelas, o trem caipira, o trem da alegria, o Crazy train, o último vagão, do trem azul...
Trem da central, o trem fantasma, o trem da des ilusão... é o trem da despedida, da desistência...e eu disse que desistir de mim não é desistir de mim, mas desistir de você...
Você nunca vai saber o que eu não disse e você não quis entender...
Mas você não tem culpa, nem eu acho ter...

domingo, 5 de setembro de 2021

 As coisas que as pessoas procuram permitem encontrar as pessoas que procuram as coisas.

As coisas, grosso modo, propiciam o encontro das pessoas.

As pessoas não se procuram, o que por si só é um erro, mas se encontram por intermédio de coisas, mais que erro.

As pessoas se estabelecem ao redor de coisas, as coisas são nucleares, atraem e repelem as pessoas, as integram e as desintegram.

Pessoas podem e deveriam serem atraídas e repelidas em função de pessoas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 "Tudo estava brilhando, mas você brilhava mais que tudo".

Até quando tudo brilha, você brilha mais que tudo...

Tudo brilha, mas você brilha mais que tudo...

Você brilha mais que o brilho.

Mais que o brilho, você brilha...

Tem uma razão para não te dar meu coração: não posso dar o que é seu desde o primeiro dia quando ele bateu.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Experiência

 "Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que aquilo lhe acontece." (Aldous Huxley)

Não sei se concordo com Huxley, provavelmente não.

A vida é experiência e experiência, obviamente, é a vida.

Não importa o que se faça com o que acontece, a experiência do viver é acontecer, mesmo quando parece que não acontece, quando nada se parece fazer, ainda assim se experimenta e somos experimentados pelo vida, pela experiência enquanto viver.


terça-feira, 31 de agosto de 2021

Certeza

Eu acho que não é bom quando a gente acha ter certeza.
Ter certeza encerra probabilidades, descolore sonhos, desencanta o esperado inesperado acontecer.
Quando a gente tem certeza não há mais imprevisíveis, o milagre, o encanto, a imprevisível previsibilidade de um vir a ser.
Ter certeza é fim da linha, e não permite ilimitadamente olhar, para frente andar, caminhar no destino do há, do pode haver.
A opção, quase sempre, é não mais seguir e muitas vezes nem para voltar dá.
O tempo da certeza é tempo parado, ou regressivo, controlado, um presente sem mudanças, sem futuro, só e feito de passado.
Passado que não passa, não passa e não vai passar, facilmente pode ser esquecido, mesmo acumulado, até não se poder  lembrar.
Certeza é já saber o que não sabia, mesmo sem ter o que não se tinha, mas não ser mais preciso precisar aprender.
São portas, janelas, pernas fechadas, ou abertas e escancaradas, sem desafio, sem brechas para espiar, observar e descobrir, é um partir que parte sem ir 
Sem opção, sem vitórias, derrotas, sem decepção, sem esperança, sem alma e sem surpresa.
Por tudo isso ou só por isso, com certeza, eu acho que não é nada bom quando a gente tem certeza que acha ter certeza.
Ter certeza é uma luz acesa, presa, sem poder iluminar. É tão óbvia, e o óbvio é tão óbvio.
É monocromática, furta a cor, é finita.
Como não tem a alegria vestida de fantasia, não inspira poesia.
É saber o que existe, sem saber o que poderia, a gente sabe o que é e é só.
É quando o conhecimento paradoxalmente cessa a oportunidade do conhecer.
Nela inexiste azar ou sorte, sul ou norte, com certeza a certeza parece menos amiga da vida e, muito, mais da morte.
Menos coisa da vida e mais da morte...


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Em tudo e em todos falta algo, nada é completo, satisfatório, suficiente.
Sempre se precisa de algo, de complemento, de outro, de um "de" para ser, gente precisa de gente.
Só nos atentamos que faz falta, quando falta o que nunca fez falta e nos percebemos sem ser.
Quando aquilo que tínhamos deixamos de ter.
Mas, é impossível explicar o que alguém não consegue, não pode ou não quer entender.
Sabe quando tudo parece nada?
Quando não parece mais importar?
Quando a distância distancia e a esperança já não dá para esperar?
Mas, ninguém pode, quer ou consegue entender o que não dá para explicar.
Na verdade não precisa explicação quando se sente, se sente ou não.
E, de que adianta pedir o que não se pede, o que não se pode e ninguém precisa, pedir ou consegue dar, só sentir?
Ninguém vai entender, nem conseguir explicar quando sente o sentimento.
Sentimento não se explica, não se entende, como dito, só se sente, ou não.
Faz todo sentido, o sentimento quando se sente não é causa, nem efeito, muito menos antônimo da emoção, muito pelo contrário, se não sinônimo.
Assim, o sentimento é, em todos os sentidos, concretos, abstratos, materiais e simbólicos, sensíveis, razão.
E eu que pensei nunca ter razão em nada, em tudo, acho, só acho, me enganei. É o paradoxo do simbólico, do concreto ou material.
Uma refugiada do Afeganistão, fugindo do Talibã, disse: "Tem vezes na vida que a gente sente culpa por estar viva"! 
Completo: vivo, enfim, por viver.
As vezes acho que a morte não deve ser a pior coisa, mesmo sabendo que morrer é foda, pelo menos pra quem vive. 
Mas, não sei, é até muito egoísta, principalmente quando a gente vê tanta gente morrendo e querendo viver.
É covardia querer desistir dela quando se acha que ela quer desistir de mim?
Não é querer, é não conseguir sentir mais tanta dor.
É ambíguo, é ambiguidade, entenda como quiser, tem liberdade, até pra não querer entender.
Não é uma dor que dói, mas dói muito mais que essa dor, não dá pra tomar remédio, não parece ter solução, e aos poucos viver não, parece ser uma grande coisa.
Já disse, várias vezes, tá escrito num desses desabafos idiotas, de idiotes mesmo, não queria magoar, nem entristecer, mas.
Nem me sinto confortável em falar as pessoas o que sinto, elas não merecem, ambíguo novamente, mas não precisam, não faz bem a elas, as respeito.
Ainda, nada poderiam fazer, e não adianta pedir o que não se pede, não se vende, o que não se compra, só se sente.
Sabe o que é ter medo da alegria, sentir tristeza por sentir algum prazer e saber que daqui a pouco vai acabar?
Sentir que esse futuro presente já faz falta antes de faltar?
Receber as pessoas e sofrer por saber que falta muito, mas pouco, para a despedida e que a vida voltará a ser insignificante, solitária e vazia?
Odeio festa e não odeio, mas sei que a festa depois de alegrar vai acabar e só poderei ficar triste e com saudade, aquela da ausência, lembrar.
Eu queria que tudo fosse para sempre, sempre sem acabar, abraçar o abraço, tocar, sentir o cheiro e olhar ver antes de dormir e novamente depois de acordar.
Todo dia estar contigo e você estar comigo todo dia é só o que eu quero o que queria.
Mas, não pode, não dá, então fica vazio, fica triste, fica nublado, fica sem luz... desculpa...
Sempre disse que não sei, mas não é realidade, sei que te amo, que amo você e amo de verdade...
Não quero pedir nada, não se culpe, não se culpem - já pedi rsrs, só posso agradecer, muito, muito obrigado por fazer eu sentir!


domingo, 29 de agosto de 2021

A parte mas sensível de um corpo social, a memória mais aguçada de uma sociedade, sem dúvida assina arte.
É arte que faz da madeira imolada, atacada pelo fogo, queimada, quase carvão, tocada pela mão do artesão vir a ser cavaquinho, viola, violão.
Essa mesma arte, parte da miragem no sonho do poeta, compositor, do artista, do cantor, do trovador, do tocador, músico,  musiCor, coração é canção.
O fogo pode queimar, mas não vai destruir com a chama o fogo da vida que arde para arder.
Não é ser minha, nem ser seu, é ser nós, sermos juntos, mais.
Ser o que possa ser, poder ser.
Perdido, não acho, não acho e com certeza não acho mais nada.
Tenho chorado demais, por todo motivo.
Choro, me sinto sem força, sem razão, sem propósito, sem motivos.
Não me sinto confortável em falar com alguém dessa fraqueza, dessa angústia, não quero preocupar, não quero entregar tristeza, entristecer quem eu amo.
Tenho contido o grito, as vezes acho que preciso gritar e pedir ajuda, mas não creio que, por mais que queiram, possam ajudar.
Também não quero decepcionar, mas sei que só isso posso.
Nem sei o que quero, mas não quero mais essa dor, essa infelicidade, sentir só solidão e saudade.
Eu queria sorrir novamente, sorrir de verdade.
Sabe, me sinto tão egoísta e isso faz mal, parece que só penso e só sinto a minha dor.
Eu só queria voltar a sorrir, parar de sentir dor, sentir que sou útil, contribuir, somar, dividir, sentir e dar prazer. Mas não sei...

Os especiais

Pessoas com deficiências, chamados de especiais, existem?
Existem, mas você conhece alguém especial além das fronteiras da sua casa, da sua família?
Como questiona uma piada antiga, já viu um enterro de anão?
Provavelmente não, falta integração, falta convivência, falta estar perto e a distância, esse desconhecimento dificulta ou impede o conhecimento, o reconhecimento, cimentar trocas, relações, reciprocidade, amizade, amor. Fazer o estranho se tornar familiar, se tornar uma grande família.
De fato são especiais, e mesmo sendo especiais eu não os conheço, pois colocam distantes dos, teoricamente, somos normais.
Mas, você conhece, se relaciona com deficientes?
Sim, certamente, ninguém é completamente eficiente, logo, em algo deficiente. A maior de todas as deficiências ocorre pelo desconhecimento, pela ignorância, pela distância que dificulta eu ver, ouvir, tocar, sentir, cheirar, provar o outro, que com razão, identifica facilmente essa deficiência e impede que todos sejam mais especiais.
Enquanto formos distantes seremos somente normais, precisamos de proximidade para aprender o que nos foi impedido ou negado.
Precisamos estar juntos, conviver, para descobrir e saber que os especiais são tão normais quanto os normais com tratamentos especiais. 
As chaves que libertam da ignorância precisam aproximar, ficar perto, tocar, ser abrigada na fechadura, girar, abrir a porta, para deixar a mentalidade aprisionada sair, entrar, circular, envolver, flutuar.