segunda-feira, 26 de setembro de 2022

 A gente não é de ninguém, a gente nem é da gente.

Cansei de dizer minha, meu, mas estava, não sei, errado ou certo.

A gente não pertence, nem possui.

Só sei, a gente está, está com alguém, está filho, está enamorado, geralmente apaixonado, e paixão é na essência, se não na etimologia, sofrimento.

A gente está, não se sabe por quanto tempo, vivo.

Mas, de uma hora para outra o que está, estava, o que não estava, está.

Somos passageiros, passageiros da agonia, da felicidade, da esperança, do sentimento, do amor, do ser ser e do ser deixar de ser, quando o ser não mais estar.

Temporários, passageiros, viajantes, efêmeros, momentâneos.

Somos o que ainda não é e o que não é, mais ainda será.

Diante dessa condição, esse ser que não sabe quanto vai viver, não sabe quando vai morrer, só sabe que vai, e vive sem saber, não é dono de nada e não pode ser de nem dono de alguém.

A gente é tanta coisa pra tanta gente e pra outra tanta gente a gente nada é, as vezes nem gente.

Se fosse pra ser de algo, de alguma coisa, seríamos da natureza, da nossa natureza, que naturalmente não pertence e não possui.

A gente flutua, flutua nas transformações, nas relações, nas interações, nas transações, nas consistências, nas inconsistências, no ar, nas águas, não é de ninguém, ninguém nos tem, ninguém nos possui, somos instantes, momentos, somos sonhos, amor, amores, condicionados, sustentados pela materialidade imaterial do tempo.

Somos sementes, partes, metades, flores, cores, e as vezes até damos frutos, frutos que serão, de ninguém serão.

A gente pode até não ser de ninguém e ninguém da gente ser, mas quando está com alguém que está com a gente, esquece isso, se ilude, se acha completo, a gente tem dono, e alguém é dono da gente, da nossa emoção, do nosso coração, da nossa ação e reação, da nossa vida, a sensação é diferente, quando isso a gente sente, até gente se sente.



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