sábado, 25 de junho de 2022

 Eu fico olhando o tempo, para o tempo, não sei em que tempo, não sei bem ao certo, nem errado 

Só sei que perdi muita coisa, muita gente, muitos sonhos.

Perdi até o que nunca tive.

Perdi a esperança, que rima com criança.

E o tempo, não volta atrás.

Parece que perdi o conteúdo, sou recipiente vazio.

Ou, esvaziado.

O que enchia e se perdia se perdeu por completo.

Deixei de ser para ser objeto, sem utilidade, sem inutilidade.

As vezes é difícil ser alguém bem velho que não queria envelhecer…

Pra quê que vou dizer que acordei, muitas vezes, com vontade de morrer?

Que não suporto usar tantos Q..

Que tá muito difícil sorrir, falar, que de uma hora pra outra sinto vontade de chorar?

Pra quê vou contaminar com a minha tristeza a vida de outros…

Ainda mais quando esse outros…

É normal lembrar de cenas, fatos, de coisa que a gente viveu, com tanta, tanta, tanta propriedade, tipo, agora, num dia, num certo elevador de uma certa universidade?

Alguém um dia me falou que sou viciado em sofrimento, em dor, em tristeza.

E eu que tanto acho que só acho, acho que isso é certeza.

Acho que eu não quero carregar a vida de alguém com a tristeza que carrego, que sinto, nessa coisa que é minha vida.

Acho que não vivo, sobrevivo, embora veja tanta dificuldade, tanto sacrifício, tanta dor na vida de tanta gente grande, forte, importante, que vale a pena, que respeito, admiro, que amo, que supera ou mais bem administra e vive a vida.

Mas não sei, não sei se consigo, se isso que eu vivo é vida.

As vezes acho que é, as vezes que não.

Só me sinto vivo quando sinto alegria, felicidade, amor no coração.

Sei, é clichê, mas tem coisa melhor que sentir amor no coração, no pé, no peito, nos olhos, no sorriso… no amor…???



Distância social - conhecimento/desconhecimento


Memória visual... paisagística...memória da paisagem, memória ambiental...





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