Na última cena do filme “O grande ditador” (1940), Charles Chaplin com as frases “Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja”, e “Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades”, rubrica a valorização das escolhas individuais.
As
interrogações nesse título, extraída da música “Comida” (1987),
reticencia um universo de respostas pessoais enquanto provoca reflexões a
partir das diversas sedes e fomes. Grosso modo, as duas manifestações artísticas
demonstram apreensão com o cerceamento de liberdades, padronização de ideias e uniformização
das compreensões.
Provavelmente,
os artistas se inspiraram num observar da natureza e das pessoas conduzidas, tocadas,
tangidas por outras pessoas a construir percepções da condição humana a partir
do viés capitalista. E, quase sempre, na produção de políticas públicas esqueceram
de perguntar qual a sede e qual a fome?
De certo, é impossível produzir políticas a atender todas as demandas individuais. Porém, antes de deliberar seria prudente escutar para reconhecer as principais, as necessidades, as insuficiências de cada indivíduo e de cada grupo.
Ao ignorar na discussão princípios fundamentais do simples exercício de ouvir, o Estado orquestrado em desarmonia, nutre-se de uma lógica binária, arquitetado como um coliseu pitagórico, para normatizar e reduzir significados de qualidade de vida e de padrões comportamentais, fundamentalmente complexos.
No artigo “Consumo logo existo”, Frei Betto (2006), alerta: “o capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social”.
Basicamente, os indivíduos, devido ao poder de “enformação” dos capitais afanados pelos comuns/semelhantes “elitizados”, passaram a compreender a elevação dos índices de consumo, mesmo não saudáveis, como sinal de distinção. Mas, não se atenta em primeiro plano precisar se converter numa máquina, num produto, numa coisa, logo mercadoria a ser comprada por um outro tipo de consumidor. Não passa de um desumanizado que evidencia a reificação da condição humana e assim se vende e se desumaniza.
Na
contramão desse processo indutivo, vertical e impositor, devemos mais ouvir para mais saber: a sua sede é de quê e qual a sua fome?
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