quinta-feira, 29 de abril de 2021

acordar é preciso

Há dias que eu não acordo.

Pra ser honesto, no tempo da honestidade funesta, sádica, desonesta, há anos que eu não.

Acordo e não desperto, levanto e não acordo. 

Ver, vendo, mais passado, passando, engolindo o futuro, que morre.

A morte do passado é doença presente a matar o que vinha vindo.

A gente, daqui de dentro, vendo a vida morrer lá fora e não fazendo nada.

Inerte, é sobre vida, ver ganancia, honestidade desonesta, psicótica, psicopatética, ignorante matar até a morte.

Não chora mais como chorava, de tanto chorar a lágrima acaba cansada,

de tanto morrer alguém esse alguém é só mais alguém antes de mim depois de esse fim.

Acabou a carne, acabou o carnaval.

Vai ser muito difícil reaprender a viver com gente perto da gente depois de todo dia morrer sozinho.

Acordar é preciso, viver não, mas é preciso...

    

  


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