terça-feira, 25 de maio de 2021

Anacoluto

Solidão sozinho não é vida, também não é morrer, é desviver.

Ser sozinho não vive, não conta e escreve histórias, só, passa, o tempo.

Na solidão, a saudade, a lembrança, a memória, doente, alimento.

E alimento que sem se alimentar definha, degenera, esgota, deslembra, até esquecer.

Não, não faz rima, não dá pra rimar essa tristeza com essa solidão.

Não, não dá pra viver só e de sonhos, sem cremes, sem crimes, sem movimentos.

Não, não dá pra viver só e da ilusão.

Do querer.

De sorrisos em vão e alegres que se vão e não mais voltarão.

Não dá para esperar a esperança perdida vagar pelas ruas, olhar a lua, sem se encontrar.

Não pode reencontrar se encontro não há.

Se não encontra, não pode se e nem achar.

Só não encontra ninguém, muito menos o querer, o bem querer, o bem, o bem amar.

Só não se morre, mas também não se desmorre, não se vive, se desvive todo dia também.

Anacoluto. 

  




   

  

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