sábado, 8 de julho de 2023

Bom dia tia…tava lembrando, mamãe sempre contava, ente inúmeras histórias, a senhora me chamar de bobo.  Que numa conversa com a senhora e a tia Silvia, você sugeriu, "educadamente", não chamar de Silvio José, mas Cesar…desde pequeno lembro ela contar muitas histórias, ela nunca ficou distante de vocês, embora estivéssemos longe, e nunca deixou a gente distante também. Contava quando e como a vida dela encontrou com as suas e virou as nossas, essa coisa mágica de gente que aprende a amar gente. Contava as histórias com a vovó, tia Vanda, sobre o vô João, da tia Fátima, sobre vocês, tio João, até sobre o Joli e veludo. Os passeios, os trabalhos, as aventuras, os carnavais, as roupas, esse encontro de irmãs, enfim essa coisa mágica que é achar vida em outras vidas… beijo tia…




O limite do humor é o sorriso, a risada, a graça…

Alguns comportamentos e pensamentos , anacrônicos, simplesmente não são e nunca foram engraçados, só insensíveis idiotes conseguem rir de peculiaridades do outro.

Preconceito, discriminação e desrespeito não são engraçados, pelo contrário, são maldosos, cruéis, tristes, desgraçados, sem graça.



A imagem recorrente em minha mente é de uma criança perdida, um garoto, e essa pessoa sou eu.

Invariavelmente me vejo, me sinto, sempre me achei perdido.

Perdido nesse mundo, perdido nessa vida, onde não me acho, para onde ir, aonde vou, nunca sei, acho que me sinto perdido porque nunca me encontrei.



É Vinícius, você é culpado.

Culpado por seguir as regras e desde pequeno contrariar a lógica, a anacrônica e perversa lógica, para superar limites e obstáculos.

Vini, você é muito culpado, por driblar as adversidades, por ser talentoso e bem sucedido.

Você é culpado por deixar para trás quem te persegue, quem dá botinadas, quem tenta impedir a arte, o preparo, a competência.

Vinícius Jesus Jr, você é culpado por ser humano, cobrar humanidade de desumanos, e tentar fazer o maior gol da sua, ainda curta, carreira contra um bando de animais tristes, racistas, que não sabem de nada.

Só quem teve furtada a árvore genealógica, perdeu a referência do lugar de origem, o sobrenome, sofre incansavelmente a chibata, o chicote e o açoite, material e simbólico, pode saber o quanto você é culpado.

Por ser culpado, muito culpado, não merece só a compreensão e o carinho, mas também todo respeito.


A ignorância, associada ao desconhecimento e a falsa ideia de supostas superioridades raciais, é responsável pelas maiores tragédias da humanidade, por massacres, perseguições e exploração. Erigiu as estruturas do nazismo, do fascismo e de todos os fundamentalismos. Passou da hora de percebermos que não somos iguais, também não somos diferentes, o sangue que corre em todas as veias é vermelho, é vermelho o sangue que corre no corpo de todos os seres humanos, independente das cores das peles. Reitero, não somos iguais, pois nada natural é igual, e não somos diferentes, mas diversos e semelhantes.



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