Não é surpresa a tragédia Yanomami repetir práticas antigas, atrasadas, anacrônicas, primitivas, e chamar atenção pelo nefasto conjunto da obra. Mas, também em virtude de um parco questionamento a indagar a nacionalidade dos povos originários, se são brasileiros ou venezuelanos?
Quanto a isso, sem maiores aprofundamentos, é preciso refletir sobre a ideia de Brasil e de brasileiro.
Fora a discussão entre Terra de Santa Cruz, Brazil, denominação conferida em 1548 por D. Joao III, e Brasil em 1612, na nomeação de Gaspar de Sousa como governador geral, primeiramente brasileiro é quem nasce no Brasil.
Brasileiro é quem nasce no Brasil, quem nasce do Brasil, quem opta pela cidadania, quem escolhe o Brasil.
Povos originários, que viviam antes dessa invenção, não escolheram, pelo contrário foram obrigados a acolher um Brasil.
Por isso, por outras coisas, e coisas que não são coisas, talvez não seja correto chamar os originais de brasileiros. Não, não é inconcebível, porém determinar uma nacionalidade, construção das sociedades recentes para impor uma ideia, politica, de Nação, parece soberba, submissão, coerção, usar a força para, como fizeram no passado, obrigar, controlar, exercer o poder.
Povos originários, originais, existem e exigem respeito a sua identidade. Suas raízes são mais profundas, advém da cultura, de todo um processo cingido na ancestralidade, do qual não temos o menor conhecimento, no encontro das naturezas, suas com a da terra, das águas, do ar, da luz, do natural e cresceram a mais tempo, para sustentar não só troncos, mas alimentar Árvores mais robustas, complexas, carregadas de Identidades que não podem ser comparadas a artificialidade de uma nacionalidade produzida.
É preciso saber, para lembrar, que Brasil é forja, produto, coisa, criação, invenção, resultado, efeito de uma exploração.
No abuso do eufemismo, é fruto das sementes, trazidas e encontradas, misturadas, combinadas, cruzadas que germinou nessas terras.
A gente que já existia é gente que já existia, original e originário, causa. E, é responsabilidade do Brasil e do brasileiro, do ser que escolheu ser, respeitar e cuidar de todas as suas sementes para que continuem a florescer e não deixar esquecer de quem somos, apenas, frutos.
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