O que adianta a música se ela não vai ouvir.
Do que adianta a imagem se ela não vai enxergar.
Do que adianta o aroma se ela não vai aspirar. Inspirar respirar
Do que adianta chorar se ela não vai molhar.
De que adianta o paladar se ele não vai provar.
De que adianta o amor se ela não vai me amar.
Sentir tocar
O gosto se ela não vai gostar…
De que adianta pedir
Esperar se ela não vai vir…
Estou morrendo, mas morro calmamente.
Sem o destempero, comum de quem da vida precisa.
Morro, sem desespero, sem afobação, com pressa, é mais forte.
Todo dia me vejo menos vivo e mais morte.
Morro por fora e por dentro morre a emoção.
Não, não deve ser tão ruim quanto achar que não preciso estar vivo.
Morro, bate na porta e não bate mais o coração.
Com o tempo a gente entende que não estar presente pode ser completamente diferente de ausente.
Mesmo presente a ausência pode aparecer e o contrário também pode acontecer.
Presença, não é somente dádiva do corpo, é também da alma, do pensamento e, principalmente, do sentimento.
A presença é maravilhosa, particularmente quando além de ser o ser está.
Assim, o ponto em comum nas imensas diferenças entre presença e ausência está no encontro, nos sentimentos, nas emoções, que não podem ser contidas.
A distância pode até impedir de ver, dificultar, embaraçar, mas quando se é presente, para além de ausente, fica muito difícil não estar.
É assim, uma coisa, furtiva, sorrateiramente sinaliza que está presente, mesmo que ausente pareça.
Sei lá, acontece.
Com uma música, um sopro, um vento, uma substantivo, uma verbo, um sabor, um copo caindo, um delírio, uma visagem…algo irá tocar, para não esquecer de lembrar.
O outro sempre está presente quando não é só o outro, mas é nós, é a Gente.
Igual, por exemplo, nas frases: A Gente Fumos, nóis vai, nóis foi, a gente voltemos, nóis é, nois está, a gente somos.
Estar presente pode ser completamente diferente de estar ausente, nunca será sinônimo, mas também é coisa muito mais abrangente, se realiza e vive dentro daquilo que se sente.
Eu posso até não estar no lugar, estar ausente e não ser possível ver, mas de algum jeito, de algum modo, talvez, sentir o sentimento de presente.
Existe lição mais didática que a dos erros?
Eu não sei o que tem no outro lado, nem mesmo se outro lado tem.
Mas, sei bem o que tem aqui e não me contém.
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