É preciso mudar urgentemente o uso da expressão "resistência".
Celebrada e empregada, comumente, para denominar espaços de memória, lugares de fala e de convivência, não acho a palavra "resistência" definir de maneira apropriada razões, sentimentos, reivindicações, pertinências e legitimidades de todo e qualquer movimento a substantivar o vívido, o viver, o existir.
Embora a expressão "resistência" enfatize, simbolize e reforce as marcas, as marchas, os movimentos contra a opressão, também dão créditos ao que não pode se esquecer, através dos registros, da documentação, mas não merece ser lembrado.
É perigoso e, infelizmente, muitos algozes, crimes e tiranias tornam-se referências para criminosos, tiranos, para desnaturados.
Assim como "deuses", monstros talvez desapareçam quando caem no ostracismo, deixam de serem citados e neles não se pode acreditar.
Por isso, mais preciso é sinalizar a presença, a inclusão, a participação, a contribuição e a composição resultante nos processos.
Assim, acho coerente as representações que assinam significados, onde é impossível ignorar sentidos e direções, identidades e identificações, diminuírem o som do "R" e colocar em evidência o entendimento, não somente sugerir reflexões.
O que está no primeiro plano, elemento fundamental, prioritário não é a resistência, resistir a um esquecimento, a um apagamento, aos ataques realizados pela ignorância, mas apesar e além de… consagrar o existir.
Por isso, acho, mais apropriado serem conhecidos, antes mesmo de lembrados e reconhecidos, como: espaço da/de existência, lugar da/de existência...de humanidade.
Pode parecer apenas uma alteração semântica, gráfica, morfológica, mas aponta para além do plano simbólico, da esfera significativa, do caráter representativo para uma compreensão concreta do, apesar dos contrários, dos resistentes, das resistências - nesse caso faz sentido -, existiu, existe, insiste, persiste e insistirá em existir por toda a existência, humana.
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