segunda-feira, 2 de maio de 2022

 A casa está silenciosa, há tempos, nenhum ruído, nenhum barulho, nenhum sorriso.

É um silêncio vazio, incomoda.

Nenhum coração bate, nenhum espirro, nenhum esporro, nenhuma palavra, nenhum palavrão.

Nenhum carinho, nenhum sentimento, nenhuma emoção.

As janelas estão fechadas, as portas também, na fachada desgastada pelo tempo, pela falta de manutenção, não há sinal de vida.

A casa não está morta, mas sem quem nela viveu, só morre quem nela confunde viver com ainda não morrer.

São só aparências quando falta vivência, quando falta soluços, quando calor também não há.

A casa está fria, assim como o sangue de quem nela habita e seu coração fraco, titubeante, por teimosia, insiste bater sem aquecer.

A casa está esquecida, a casa está abandonada, talvez por quem a ela ocupe em tudo e não encontre mais nada.

A casa está cheia do vazio de quem nela não mais seja e só esteja nela sem estar.

A casa não está vazia, mas cheia também não está.

Por não ter opções, por não ter para onde ir e assim não pode nem voltar.

A casa ficou muda, sem som fica surda e não pode escutar o que não pode dizer o silênco de quem não pode falar.

É certo que a gente não pode tudo, mas é muito difícil só poder nada.

A casa já não é engraçada e não importa o quanto limpe, o quanto tire as poeiras, o quanto aromatize, o quanto jogue fora as sujeiras, o quanto esforce por brilho, ela não tem nenhum motivo para brilhar, perdeu a graça por não ter vida para graça dar.


Nenhum comentário: