Gotas que mais parecem pedaços de vida caindo no chão.
Vidas que o tempo todo passam pelas nossas vidas, vidas passam, o tempo passa e o tempo não passa nessa vida.
O tempo passa, transforma tudo em passado, o amanhã em hoje, o hoje no ontem e o ontem...
Chuva molhada, lava, leva, inunda, carrega poeiras da ilusão.
O tempo, nublado, sombrio, vazio, ao lado, do lado da solidão.
Chuva, líquida, límpida, inodora, insípida, água, viva.
Gente é um monte de pedaços de gente.
Gente que juntou, gente que a gente passou pelas nossas vidas, na convivência, na leitura, no olhar, na observação, na assimilação.
A gente até é a gente, mas numa versão de muitos pedaços de vida de muita gente.
O que seria a gente se a gente fosse só a gente, sem pedaços, sem referências, sem o outro para a gente olhar, ver, enxergar, observar, copiar, imitar, aprender, corrigir e ensinar?
Não sei, acho que não seríamos nada, nem seríamos, talvez nem nasceriamos...
A única certeza é a gente precisar de gente para ser gente.
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