sexta-feira, 30 de maio de 2008

Gasolina Verde

Redação central, 29 mai (EFE)- Uma nova empresa californiana afirma que pode produzir um combustível equivalente à gasolina a base de algas cultivadas em terrenos desérticos, informaram hoje o jornal "Los Angeles Times" e a revista "Forbes".O presidente da empresa Sapphire Energy, Jason Pyle, assegura que este chamado "petróleo verde", que pode começar a ser produzido dentro de três anos, é neutro no que se refere ao carbono atmosférico, já que as algas absorvem da atmosfera tanto carbono quanto depois é emitido com a queima do combustível."Criamos um processo que depende da fotossíntese. Absorve o CO2 para criar uma molécula de carvão. Acreditamos que estamos marcando a pauta para toda uma nova indústria", disse Pyle, que evitou falar muito sobre as técnicas empregadas.Ao contrário de outros biocombustíveis, o "petróleo verde" não afeta terrenos agrícolas que poderiam ser utilizados para a produção de alimentos, uma vez que as algas serão cultivadas em zonas áridas e ensolaradas, em pleno deserto, com água não potável.O novo combustível contém energia por litro equivalente a da gasolina com um octanagem de 91, sustenta Pyle.A Sapphire Energy, com sede em San Diego (Califórnia), conta com o apoio financeiro da organização sem fins lucrativos Wellcome Truste e das empresas de investimentos Arch Venture Partners e Venrock.O diretor-gerente da Arch Venture Partners, Robert Nelsen, comentou: "Queremos desbancar o sistema atual de petróleo, para substituí-lo por um sistema de produção contínuo que reproduz, para todos os efeitos, um campo petrolífero acima do solo que produz petróleo por tanto tempo quanto se queira".Por outro lado, um especialista da Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Comprometidos), Don Anair, assinalou que "a passagem para o petróleo verde poderia trazer benefícios importantes quanto às emissões dos gases de efeito estufa, mas talvez não seja capaz de combater os poluentes tradicionais que saem dos canos de descarga, como o ozônio e o óxido de nitrogênio".O Conselho de Recursos do Ar da Califórnia, departamento do Governo do estado que vela pelas questões ambientais, também se mostrou cauteloso."As reduções de emissões podem ser notadas no processo de refinamento, mas ainda persistem as questões das emissões dos veículos que usa o novo biocombustível", disse o porta-voz Dimitri Stanich.No entanto, acrescentou: "Desejamos sorte (à Sapphire Energy) e esperamos os estudos técnicos que demonstrem o custo e a viabilidade de seus processos de produção". Agencia EFE

terça-feira, 20 de maio de 2008

Cidades e Solucoes

Pensar sustentabilidade, ambiente é sinonimo de vida!
Produção, estudos e proposta viaveis, devemos conhece-las, segue o endereço do programa "Cidades e Solucoes", apresenta iniciativas para um mundo sustentavel, propostas simples, coerentes e aplicaveis.
http://globonews.globo.com/Jornalismo/Gnews/0,,7493,00.html

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

www.climatecrisis.net


Uma "Verdade Inconveniente" o ex-candidato a presidência dos EUA, Al Gore, apresenta sua luta na divulgação e problematização do Aquecimento Global, acredito que todos devemos não somente ver o filme, mas plantar arvores, mudar hábitos, repensar gestos e comportamentos.
Muitas pessoas dizem: devo cuidar das minhas dores imediatas, "nao vou estar vivo quando isso aqui acabar", ou, "ainda vai demorar uns cem anos a gente se transforma também...".
Pensar o mundo, ou melhor, sua preservação, agir evitando a destruição iminente, é necessário, a consciência da busca pode ser despertada pela busca da consciência.
Não veja somente o documentário, faça uma leitura sua, temos a mania chata de culpar os outros por tudo, não quero ser pessimista, mas o grande culpado pode estar escondido dentro da gente
!


Acesse www.climatecrisis.net

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Concreto ecológico pode deixar obra mais barata

Material desenvolvido no Rio de Janeiro ajuda a reduzir emissão de gás carbônico.Empresários ainda não se interessaram pela produção.

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL306636-9356,00-CONCRETO+ECOLOGICO+PODE+DEIXAR+OBRA+MAIS+BARATA.html

Simon Schama - 1996

“Uma árvore nunca é apenas uma árvore. A natureza não é algo anterior à cultura e independente da história de cada povo. Em cada árvore, cada rio, cada pedra, estão depositados séculos de memória. Mesmo hoje, num mundo urbano invadido pela ciência e pela técnica, podemos constatar a sobrevivência de mitos que, vez por outra, emergem com toda a força primitiva no cotidiano das pessoas.”

Uruguai - Charrua - Gaucho

Nesta apresentação mostramos a transformação do território do Uruguai, desde a nascente do Rio, passando pelo processo de dizimação da etnia Charrua, o invasor que atribui hábitos, modifica a cultura e a paisagem com introdução de cultivos e animais e faz nascer o Gaúcho, finalizando com as lutas de Independência que define o Estado Nacional.

Sopa de Lixo bóia no Pacífico


Uma imensa área no norte do Oceano Pacífico estaria tomada por uma “sopa de lixo” gigante com tamanho que pode ser duas vezes o do território dos Estados Unidos, afirma uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Independent. Segundo a matéria, o imenso depósito de lixo flutuante se estenderia de uma área cerca de 500 milhas náuticas distante da costa da Califórnia, no oeste dos EUA, passaria pelas águas do Havaí, e chegaria quase até o Japão. De acordo com o jornal britânico, a mancha foi descoberta por acaso pelo oceanógrafo americano Charles Moore, que em 1997, durante uma competição de barco à vela optou por um trajeto diferente para cortar o caminho entre Los Angeles e o Havaí. A área, conhecida como “giro pacífico norte” é um local onde oceano circula lentamente devido aos poucos ventos e aos sistemas de pressão extremamente altos que estariam "segurando o lixo". O Independent cita uma entrevista de Moore, em que o oceanógrafo relatou ter ficado “surpreso com a quantidade de lixo com a qual se deparava dia após dia durante a viagem”. “Toda vez que eu ia ao deck via lixo boiando. Como nós conseguimos sujar uma área tão enorme?”, indaga Moore. Ele acredita que 100 milhões de toneladas de lixo estejam flutuando na região. Um quinto dos dejetos – que incluem itens como bolas de futebol, caiaques, bolsas de plásticos e destroços de naufrágios – seria jogado de plataformas de petróleo e embarcações que passam pelo local. O resto viria do continente. O jornal conta que pouco depois de se deparar com a mancha pela primeira vez, Moore, que é “herdeiro de uma família que fez fortuna com a indústria do petróleo", vendeu seu negócio e se tornou um ativista ambiental, criando a Fundação de Pesquisa Marítima Algalita, baseada nos EUA. Em entrevista ao Independent, o diretor de pesquisa da ONG, Marcus Eriksen, descreveu a aparência da mancha de lixo. “A idéia que as pessoas tinham era que se tratava de uma ilha de lixo plástico sobre a qual se poderia andar. Mas não é bem assim. É quase uma sopa de plastico, uma coisa sem fim que ocupa uma área que pode ser até duas vezes o tamanho dos Estados Unidos”, disse ele ao jornal britânico.(BBC Brasil)

Construção em conjunto, compartilhada. Todos podem alterar, corrigir, sugerir, reescrever, acrescentar, retirar, qualquer postagem, apenas mantenha o original e publique a outra versão.

Pois conquanto estejamos habituados a situar a natureza e a percepção humana em dois campos distintos, na verdade elas são inseparáveis. Antes de poder ser um repouso para os sentidos, a paisagem é obra da mente. Compõe-se tanto de camadas de lembrança quanto de estratos de rocha. SCHAMA, Simon. Paisagem e Memória. São Paulo: Cia. das Letras, 1996, p. 17

A Natureza

Numerosas são as maravilhas da natureza, mas de todas a maior é o homem! Singrando os mares espumosos, impelido pelos ventos do sul, ele avança e arrasta as vagas imensas que rugem ao redor!
E Gea, a suprema divindade, que a todas mais supera, na eternidade, ele a corta com suas charruas, que, de ano em ano, vão e vem, fertilizando o solo, graças à força das alimárias!
Os bandos de pássaros ligeiros; as hordas de animais selvagens e peixes que habitam as aguas do mar, a todos eles o homem engenhoso captura e prende nas malhas de suas redes.
Com seu engenho ele amassa, igualmente, o animal agreste que corre livre pelos montes, bem como o dócil cavalo, em cuja nuca ele assentara o jugo, e o infatigável touro das montanhas.
E a Língua, e o pensamento alado, e os sentimentos de onde emergem as cidades, tudo isso ele ensinou a si mesmo! E também a abrigar-se das intempéries e dos rigores da natureza! Fecundo em recursos previne-se sempre contra os imprevistos. Só contra a morte ele e impotente, embora já tenha sido capaz de descobrir remédio para muitas doenças, contra as quais nada se podia fazer outrora.
Dotado de inteligência e de talentos extraordinários, ora caminha em direção ao bem, ora ao mal... “Quando honra as leis da terra e a justiça divina ao qual jurou respeitar, ele pode alcançar-se bem alto em sua cidade, mas excluído de sua cidade será ele, caso deixe desencaminhar pelo Mal.” (Antígona – Sófocles)

O Principio da Responsabilidade

JONAS, Hans. O Princípio Responsabilidade. Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006. p. 31-66.

Hans Jonas, deixou a Alemanha com a ascensão do Nazismo, passando a viver nos E.U.A., construiu sua carreira em solo norte-americano, produzindo e escrevendo em inglês. Ele viveu a diáspora experimentada por alguns contemporâneos seus, como Hannah Aerendt.
Neste texto de 1979, o autor, então com 76 anos, sentiu necessidade de retornar ao idioma alemão, em sua reflexão sobre a ética na contemporaneidade, levantando questões sobre biologia e ecologia. Esta experiência de vida se revelou fundamental na produção. Em 1992 ele recebeu o título de Doutor Honoris causa pela Universidade de Berlim.
O trabalho visa destacar como a tecnologia da modernidade tornou o que se constituiria como futuro em algo factível. Ao levantar a questão do homem faber se sobrepondo ao Homo sapiens, Jonas aponta para a autonomizaçao da tecnologia, como se esta tivesse um fim em si mesma, se explicando e se auto-justificando. Ou seja, a tecnologia tornando o futuro possível como obra dela, de modo autônomo àquela que a concebeu – a ação humana.
Jonas reconhece que é difícil a construção de uma ética em uma época na qual a tecnologia parece não se coadunar mais as necessidades humanas, promovendo um ceticismo por parte dos homens. A idéia de um destino funesto deve ser visto como algo produzido pelo homem. O reconhecimento disto levaria a um questionamento sobre ética.
Porém, se o homem não se reconhece como agente da História, não haveria a necessidade de se pensar em ética. Ou seja, a História como algo maior que o homem, conduzindo-o sob seu peso, nos dando a idéia de que somente podemos sofrer a História, e não fazê-la. Para Jonas o fatalismo é o pecado mortal.
O autor, apesar das constatações que se configuram pessimistas, não deixa de ter otimismo e de se ver como alguém que acha que a ética é condição fundamental à vida.
Ele crê que as atitudes humanas são determinantes na permanência da vida no futuro.
A experiência de vida de Hans Jonas foi fundamental na elaboração do presente texto. Sua geração viveu a efervescência cultural da República de Weimar, e, posteriormente, a experiência do exílio, por conta da ascensão do nacional-socialismo. Tal experiência produziu um desenraizamento, mas ao mesmo tempo fez esta geração pensar o mundo. Rompe-se consigo mesmo e problematiza-se o mundo.
Jonas, assim como Hannah Aerendt, viveu uma experiência histórica sobre o descolamento ocorrido entre tecnologia e ética. A indústria do Holocausto, a morte em massa produzida em série, por meios científicos e tecnológicos, como o uso de gases químicos. Após tal experiência, Jonas, Aerendt e outros procuraram pensar sobre como produzir uma ética para uma civilização que passou a acreditar tanto na tecnologia e na sua “amoralidade”.
A discussão sobre ética não é algo típico da modernidade. A Ética nasce com a Política e a História. Nascidas na polis grega por volta do século IV a.C., elas foram criadas para estabelecer uma ordem para um mundo que aparenta ser desordenado. A regulação da vida na cidade se dá não por regras naturais, mas por artifícios. Sem regras o “humano” estaria comprometido.
Tornar-se humano é estabelecer limites. Limites à natureza e ao outro (alteridade). Daí as cidades terem muralhas como a preservarem-se, a afastarem-se do mundo natural. A ética foi formulada por conta da relação entre os homens, e da do homem consigo mesmo.
A ética era antropocêntrica. O homem não se via como responsável pela natureza, dado ao seu ponto de vista diante dela. Diante da natureza o homem se via em sua pequenez. Atualmente a ética não pode mais ser antropocêntrica, por conta da enorme influência humana na natureza.
Quando a discussão sobre ética foi formulada naquele momento – Antiguidade grega – ela tem uma referência, um limite claro que é a idéia da finidade da vida humana. O homem moderno vê a morte como um castigo. Ele procura se colocar contra esta condição natural do existir, promovendo um prolongamento cada vez maior da expectativa de vida.
Os antigos gregos acreditavam que ousar ultrapassar os limites teria um preço. O homem contemporâneo busca, ao contrário, superar, extrapolar seus limites, não fazendo esta associação ousadia/punição,preço.
A finidade de uma geração é necessária à vida daquela que virá após ela. Tal concepção na sociedade tecnológica contemporânea configura-se como insuportável. No prolongamento cada vez maior da expectativa de vida promove-se, também, uma negação daquele que virá, ou seja, do outro. As várias formas contemporâneas desta negação (como a discussão do uso de embriões para fornecimento de células tronco e posterior descarte destes embriões) parecem minar qualquer discussão ética.
Além disso o homem moderno se vê envolvido por aspectos que ele constrói como cerceadores, como consumo, mercado, moda, etc.
Jonas propõe ações voluntárias para romper com tais “condicionadores”, e tais ações terão validade se promoverem a manutenção da vida, seja do próximo ou dos pósteros. Por isso o autor acredita que a política seja algo que deva ser praticado no presente, satisfazendo as necessidades dos que vivem no presente. Políticas voltadas somente para o futuro não se apresentariam como solução.
Porém a ética do autor não é presentista, no sentido que o momento presente tem na atualidade, ou seja, uma supervalorização do momento, do presente. Ela é uma ética do presente de modo a se promover a satisfação das necessidades de todos no presente, passando pelas ações que cada um possa desenvolver para tal. Manter-se a vida hoje e no futuro.
As sociedades atuais vivem um momento inusitado, no qual a tecnologia atingiu níveis nunca antes experimentados. O atual dinamismo tecnológico torna quase tudo obsoleto de forma rápida. Há um consumo cada vez maior do que há de mais moderno em tecnologia. O homem moderno deve desenvolver freios voluntários para a insaciabilidade contemporânea, que conduz a esta ausência de ética. Contudo, as experiências históricas não nos dão subsídios para saber como construir tal ética.
Tal situação, aparentemente inquietante, deve ser vista como momento positivo para a construção de projetos éticos. É o que Jonas define por heurística do medo. A arte de inventar através dos medos. Deve-se assumir todos os medos na problematização desses processos de construção ética, começando por reconhecer que a sociedade atual, seus medos e aspectos negativos são produtos da ação de cada um. É perceber que cada um tem responsabilidade na definição da situação atual, assim como no remediar de tal situação.
Princípio de Responsabilidade é um debate, uma resposta a obra de Ernest Bloch “Princípio da Esperança”, que pensa a ação humana sob uma perspectiva utópica na qual o presente é realizado no futuro. Tal perspectiva se revela, por exemplo, no Positivismo e no Marxismo. A ordenação (Positivismo) e a justiça social (Marxismo) realizariam plenamente o homem em um momento futuro.
No que o autor define por política da utopia ou utópica o futuro parece ser um dado quase concreto pelo qual as ações presentes possuem justificativa. Ela supõe um momento de realização possível, deslocando-o para o futuro. Ela combina o remorso pelas ações não realizadas do passado e a esperança em um futuro de realização. Porém, o futuro é incerto, ele não existe a priore.
Jonas vê o futuro como algo que guarda uma dimensão de incerteza, e não algo projetado ou inscrito no passado ou no presente. Percebe-se aí uma crítica à Filosofia da História. Essa concepção da modernidade sobre o futuro como sendo este um desdobramento do presente e do passado é criticada por Jonas. Contudo, criticando a dimensão utópica ele não critica ou invalida projetos para o futuro.
Ao falar de ética do futuro, Hans Jonas aponta três caminhos de como se pode pensar a ética: religião (realização na além vida futuro), associação entre futuro e política e um terceiro caminho que é a idéia de que os que vivem em um determinado tempo, vivam com a condição de prepararem um determinado futuro (política da utopia; sacrifícios feitos por uma geração para o bem das gerações futuras).
O autor sugere uma ligação entre a política utópica moderna e a laicização da ética religiosa. A laicização estabelece outra relação com o futuro. Este não repousa na recompensa celeste, mas em outra ordem que é definida pelo tempo dos homens e pelo desenvolvimento humano.
Estabelecem-se medidas de tempo que apontam para as ações humanas. O terceiro caminho citado acima articulará sua noção de ética a uma temporalização da História, concebendo-a como um processo.
A História será uma medida para julgar as ações humanas como adequadas ou não. O tribunal da História julgará as ações humanas.
Constrói-se a partir deste momento a expectativa quanto ao trabalho do historiador na produção da verdade sobre o passado. Desse modo determina-se uma ligação entre a História e a Ética, e o historiador torna-se o indivíduo (abalizado por todo um conjunto de normas e trabalho baseado na pesquisa) que será consultado quanto à verdade e a proferir a verdade.