Na verdade, não se dialoga com uma realidade, não com apenas,
talvez com diferentes realidades que podem ou não ser verdades. À primeira
vista parecem múltiplas ou contraditórias, parecem ilusórias, mas na realidade são
reais, dependem de perspectiva e, muitas das vezes, das expectativas. São verdades
que afloram de um domínio onde fermenta a representação. Elas são preocupadas
em produzir consensos - observe as relacionados às questões socioambientais – e
se apressam em demonstrar ferramentas dispostas a misturar cimentos econômicos
e políticos, as esferas pública e privada, com intuito de legitimar a apropriação,
dos espaços e refuncionalizar. Deles, dos espaços, intervalos, gaps, lugares, subtrai
objetivamente subjetividades para parecer tentar promover saltos de escala, convenientes
e subservientes a produção. Mas, as ofensivas se valem de estratégias requentadas,
entretanto cristalizadas, da geração de emprego e renda sob a pátina de práticas
social e ambientalmente responsáveis. No entanto, as verdades, jamais
verdadeiras, recobertas por desejos e expectativas, não escondem as experiências
pouco responsáveis.
Compulsória, do latim compulsu relacionada a
compulsão, a coisa imposta ou que deve ser cumprida forçosamente ou de forma
obrigatória.
Na realidade, sempre triste e menos rica do que a
imaginação, se tenta dialogar primeiramente com aquilo que se faz perceber como
real, mas, por vezes, o que se entende continua encoberto por um véu. O que
invariavelmente produz angústia, vontade de visão, vidência e evidencia, no
entanto os frames deslocam e se deslocam daquilo materializado. Nitidamente o real,
a realidade, é objeto recoberto por reticulas, que suscitam questionamentos.
Portanto, a realidade com que se tenta dialogar é performática, metamórfica e
volátil. Constrói imagens de diferentes verdades que enquanto projeta passados presentes,
interroga futuros.
O grande problema é que as verdades construídas pelo controle
do controlador, sob as rédeas de um poder, consomem e são consumidas em práticas
e hábitos a induzir comportamentos, nela, nada é acidental, mas precisa parecer
espontâneo. Para isso, utiliza um poder que reúne capitais econômicos e
políticos, até mesmo culturais, a agrupar realidades compostas por
desconfianças que tanto iludem quanto confundem, mentem.
Existem momentos na vida onde a questão de saber se se
pode pensar diferentemente ao que se pensa, e perceber diferentemente do que
se vê, é indispensável para se continuar a olhar ou a refletir. (um exercício
de si, no pensamento). (FOUCAULT, 1984: 13) e eu...
FOUCAULT, Michel.
História da Sexualidade II. O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984.
Ps.: Achei isso entre rascunhos e não sei se quem é o autor. Sei que fiz intervenções, escrevi partes e algo, muito algo até pelas influências, pelo que aprendi a ser realidade, foi escrito pelo Foucault. Mas, na realidade não consigo lembrar se copiei ou escrevi um pouco ou a maior parte. De toda forma, como visto, não é difícil se confundir, deixar a realidade enganar, saber o que é real na realidade.
...diferente mente... e a realidade é uma bosta.
Por isso todas as sociedades, em todos os tempos, usam drogas, para fugir ou dar um upgrade na realidade. Enfeitar, ornar, colorir, sonhar, enfim, completar e estabelecer conexões com o algo a mais, com o que não se sabe e nem se pode explicar. A droga mais potente de todas as drogas é a religião, afinal crença não precisa nem de explicação. Crença é quando o ser humano, como fotossíntese, processa a e sintetiza a sua própria substância psicotrópica, sinestesia, e foge da realidade. Alguns humanos perceberam e tiveram a sacada de escrever suas viagens, usar a imaginação e sacralizar tais ideias, para controlar, submeter, explorar e tirar proveito dessas ausências e faltas. Com promessas, com imagens, com delírios, com significados e representações, materiais e imateriais que se materializam no campo dos sonhos, das ideias, da imaginação, construíram e constroem impérios, fortunas, prestigio, até santidade, bastando apenas demover o natural poder mágico de sintetizar, viajar, transformar de cada individuo e transferir, projetar, ao inexplicável, onisciente, ao universo, ao pai...em troca de dinheiro, doação, doação dirigida, doação coagida, doação para um bem maior doado pelo menor, menor de todos, o reduzido, nada, insignificante, individuo humano...