sexta-feira, 18 de março de 2022

Tenho sentido dores, dores no peito.

E, algumas dores não apenas doem.

Algumas dores anunciam, preparam o corpo para a despedida antes de revelar.

Algumas dores avisam a vida estar mais perto do tchau e longe do oi.

A sorte da vida é viver até ela encontrar o princípio da célula.

E nessas horas a gente faz uma rápida viagem pela memória, lembra de tudo aquilo que não esquece.

Pensa em quem importa e não importa se não se importa.

A gente não quer ajuda, sabe que ninguém pode, por mais que queira, ajudar.

Por isso não pede.

Não quer encontro pois sabe que é despedida, que não há mais nada a encontrar.

Não importa o não e o sim é o único a poder esperar, só esperar.

Algumas dores doem muito mais que todas as dores que a gente sentiu e por mais que doa, a quem doer, parece que a gente nem sente mais tanta dor.

Tá chegando a hora de ir e o caminho da vida seguir...seguir, seguir, certo de nunca mais voltar.

sábado, 12 de março de 2022

Amor não acaba, pode até se descobrir e revelar mais formas, jeitos, maneiras de amar.

Também não se transforma, não degrada, não deforma, não solta as tiras, apenas segue outras vias.

Seguramente, se acabou, é outro sentimento, não é amor.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Quando eu partir, por favor, guarde o que viveu, no seu melhor lugar, e me conte o que quiser, se eu voltar…

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A luz é do Sol.
Reflexo da importância do um para um, do outro para o outro.
Não fosse o sol o que seria a lua?
Provavelmente apagada, não cintililava, não brilharia, não conseguiria luzir, de certo não seria iluminada.
Não fosse a lua, outros satélites, outros planetas, o sol bastaria, de que serviria?
Iluminaria, poderia dar luz, calor, anunciar o dia, fazer poder ver e haver vida?
Haveria amanhecer quando o sol se esconder e anoitecer para a lua aparecer e brilhar com a luz que o sol empresta?
A generosidade é mútua, do sol com a lua e da lua com o Sol.
Um empresta sua luz, a outra sua face iluminada.
O existir depende do ti em mim e de mim em ti.
Contrastes, complementares, necessários...

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A busca por uma perfeição acaba por pasteurizar, retirar espontaneidade, negar as imperfeições que são naturais, a natureza é perfeita por ser imperfeita... ou não, nada é imperfeito, a perfeição está em ser diferente, em ver o outro muito mais que a sí mesmo... se fosse pra gente se olhar o olho não estaria em um ponto que não consegue ver o seu corpo todo... rsrs cara, a gente só consegue se ver por meio de um artifício... ou é melhor olhar o outro e com ele aprender…

A frase o mundo tá muito chato, tá muito chata rsrs nós pessoas estamos em transformação, a minha geração começou a transição, a sua já está em outro estágio... processo civilizador... mas o foda é que sinto um processo desumanizador...

Talvez devêssemos imitar os animais, esses que chamamos de irracionais..

Corrigindo... a minha geração não começou, ela está numa parte dessa transformação progressiva... nesse exato momento acho que precisamos retornar, desacelerar, voltar ao primitivo... é viagem...por isso não devo usar drogas rsrs mas sabe, a civilização andar mais, plantar mais, colher mais, contemplar mais, produzir menos... desracionalizar rsrs

Sem o outro não existe razão pra viver... o outro são todos os outros.

Precisamos fazer as pazes com o natural... reaprender a viver e perceber que a gente precisa do outro principalmente para se ver...

É tão difícil só ser

Ser só

Só rir

Não quero mais estar

Estar só

Só estar

Aqui

O que quero talvez não tenha a menor importância…

Desiquilibrio

Mas, o que importa se a gente não importa?

Os pesos, os valores, as equivalências iguais não são nulas, na realidade são correspondentes, somadas sempre mais que o dobro.

Sempre se procura êxito, a realização, a aprovação, a confirmação, afirmar, e a gente esquece que a história não só disso é feita.

Tal qual a coragem, que não existe sem o medo, e a vitória, prima irmã da glória, se escreve com todos percalços do movimento na trajetória.

Coragem é enfrentar o medo.

Hoje não acordei muito bem, não acordei cedo, isso é normal, anormal é acordar eufórico, sorridente, alegre por dentro e por fora contente, satisfeito.

Como se a vida, o mundo oferecesse oportunidade, alguma.

Essa tristeza patente chega a ser engraçada, acho que até acostumei…

A o que, por certo não sei...

Sabe aquela certeza de que nada vai dar certo, e tudo vai dar errado?

Estou cansado de desafiar a lógica, as probabilidades, não sei se ainda tenho tempo.

Não dá para viver só de esperança, mas sem esperança dá pra viver?

E essa, ao que tudo parece, pediu demissão, saiu de férias, foi por aí, como algumas pessoas que pela vida encontrei, muito inteligente, e de mim não quer mais saber.

O que me resta é tentar não lembrar quem eu não consigo esquecer.

Não dá pra viver só de sonho, mas dá pra viver sem sonhar?



segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Flor, combina com tanta coisa.
Com amor, com dor, com cor, com paixão, com coração, com vida, com despedida, é tão bonita, também rima.
Flor, com tanta coisa combina.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Ah, não dá pra colher amora sem te ver.

Amoras, colher ainda não dá sem pensar em você.

Dizem, se é verdade não sei dizer, que o brilho nos meus olhos, quando te olham, não consigo ocultar.

Ah, ainda não dá, pra colher, amoras sem de ti pensar.

Lembrar.

Amor não se escolhe, não se encolhe, não sei se colhe, se não dá pra plantar.

Acontece, aparece, brota, aflora a flor que há.

Se revela, se descobre, se sente, não dá para explicar.

É coisa que nasce, cresce, se recolhe, bem, dentro da gente.

Fruto, frutífera, frutificar.

Sem você, ainda há amoras, mas não sei se contém sabor.

Amor, há, amora.

Amor, amora, amar.

Ah...m.

Não dá pra colher se não dá pra plantar.

Coletar, Cultivar...

Dizem, se é não sei explicar, o brilho nos olhos que te olham não consigo esconder.

Se aqueles que olham meus olhos e podem ver, o que não consigo fazer, dizem, o que posso dizer?

Se só eles esse tal brilho conseguem enxergar, me cabe só aceitar, só acreditar...que há amor...ah se há!


Com qual realidade...

 

Na verdade, não se dialoga com uma realidade, não com apenas, talvez com diferentes realidades que podem ou não ser verdades. À primeira vista parecem múltiplas ou contraditórias, parecem ilusórias, mas na realidade são reais, dependem de perspectiva e, muitas das vezes, das expectativas. São verdades que afloram de um domínio onde fermenta a representação. Elas são preocupadas em produzir consensos - observe as relacionados às questões socioambientais – e se apressam em demonstrar ferramentas dispostas a misturar cimentos econômicos e políticos, as esferas pública e privada, com intuito de legitimar a apropriação, dos espaços e refuncionalizar. Deles, dos espaços, intervalos, gaps, lugares, subtrai objetivamente subjetividades para parecer tentar promover saltos de escala, convenientes e subservientes a produção. Mas, as ofensivas se valem de estratégias requentadas, entretanto cristalizadas, da geração de emprego e renda sob a pátina de práticas social e ambientalmente responsáveis. No entanto, as verdades, jamais verdadeiras, recobertas por desejos e expectativas, não escondem as experiências pouco responsáveis.

Compulsória, do latim compulsu relacionada a compulsão, a coisa imposta ou que deve ser cumprida forçosamente ou de forma obrigatória.

Na realidade, sempre triste e menos rica do que a imaginação, se tenta dialogar primeiramente com aquilo que se faz perceber como real, mas, por vezes, o que se entende continua encoberto por um véu. O que invariavelmente produz angústia, vontade de visão, vidência e evidencia, no entanto os frames deslocam e se deslocam daquilo materializado. Nitidamente o real, a realidade, é objeto recoberto por reticulas, que suscitam questionamentos. Portanto, a realidade com que se tenta dialogar é performática, metamórfica e volátil. Constrói imagens de diferentes verdades que enquanto projeta passados presentes, interroga futuros.

O grande problema é que as verdades construídas pelo controle do controlador, sob as rédeas de um poder, consomem e são consumidas em práticas e hábitos a induzir comportamentos, nela, nada é acidental, mas precisa parecer espontâneo. Para isso, utiliza um poder que reúne capitais econômicos e políticos, até mesmo culturais, a agrupar realidades compostas por desconfianças que tanto iludem quanto confundem, mentem.

Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente ao que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para se continuar a olhar ou a refletir. (um exercício de si, no pensamento). (FOUCAULT, 1984: 13) e eu...

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade II. O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984.


Ps.: Achei isso entre rascunhos e não sei se quem é o autor. Sei que fiz intervenções, escrevi partes e algo, muito algo até pelas influências, pelo que aprendi a ser realidade, foi escrito pelo Foucault. Mas, na realidade não consigo lembrar se copiei ou escrevi um pouco ou a maior parte. De toda forma, como visto, não é difícil se confundir, deixar a realidade enganar, saber o que é real na realidade.  


 ...diferente mente...  e a realidade é uma bosta.

Por isso todas as sociedades, em todos os tempos, usam drogas, para fugir ou dar um upgrade na realidade. Enfeitar, ornar, colorir, sonhar, enfim, completar e estabelecer conexões com o algo a mais, com o que não se sabe e nem se pode explicar. A droga mais potente de todas as drogas é a religião, afinal crença não precisa nem de explicação. Crença é quando o ser humano, como fotossíntese, processa a e sintetiza a sua própria substância psicotrópica, sinestesia, e foge da realidade. Alguns humanos perceberam e tiveram a sacada de escrever suas viagens, usar a imaginação e sacralizar tais ideias, para controlar, submeter, explorar e tirar proveito dessas ausências e faltas. Com promessas, com imagens, com delírios, com significados e representações, materiais e imateriais que se materializam no campo dos sonhos, das ideias, da imaginação, construíram e constroem impérios, fortunas, prestigio, até santidade, bastando apenas demover o natural poder mágico de sintetizar, viajar, transformar de cada individuo e transferir, projetar, ao inexplicável, onisciente, ao universo, ao pai...em troca de dinheiro, doação, doação dirigida, doação coagida, doação para um bem maior doado pelo menor, menor de todos, o reduzido, nada, insignificante, individuo humano...   


quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Tem gente que já nasce morto, não apenas natimorto.

Não nasce, é torto, um aborto.

Desgraçado, quer dizer sem graça, e essa sina não passa.

Sabe, o seu destino será sempre o pior possível, tá traçado, no mínimo fracassado.

Não adianta, pode fazer de tudo, tudo tentar para desviar, irremediavelmente, o seu destino leva pro mesmo lugar.

Não há desvio quando se tem um único caminho, um único destino, um único trilho, só uma estrada a caminhar.

E não adianta tentar se matar, vai falhar se tentar.

No máximo, conseguirá piorar o que nunca foi bom, transformar o ruim em péssimo.

Tem que sofrer, tem que sentir, tem que doer, tem que chorar.

Tem gente já nasce morto.

Não nasce, é torto, aborto.

Sabe quando a vida é marcada pela falta de opção, quando você não escolhe, quando o que surge é tido como oportunidade?

Não, não há opção, não tem escolha, viver é completamente diferente de sobreviver e somos simplesmente e somente sobreviventes.

Sabe o que é xepa, só poder comprar, parcelado, na liquidação?

O que sobra, o que resta, a qualidade duvidosa daquilo que nem sempre de fato presta.